sexta-feira, 16 de agosto de 2019

THE BRIAN BORU (Pirenópolis-GO)

ERA SÓ O QUE FALTAVA...

Eu sempre achei, mas nada impede que um dia ainda mude de opinião, que Piri é o lugar mais bacana para se passar uma noite nos arredores de Brasília.
Para um passeio do tipo 'bate-e-volta', há mais concorrência. O 'bate-e-volta' ao Salto de Itiquira com almoço no DOM FERNANDO é o meu favorito. Se a ideia for um passeio menor mas com direito a um almoço mais caprichado meus favoritos são a ida ao TREM DA SERRA e ao SERVUS.


TREM DA SERRA

Achei muito feliz a união do restaurante SERVUS com o Espaço GAIVOTAS. Ótima cozinha e sofisticação! Já o tradicional TREM DA SERRA precisava mesmo era de uma boa reforma, enfim...
Eu continuo frequentando Piri, e posso fazer com segurança algumas afirmações sobre o cenário boêmio e gastronômico da queridinha dos brasilienses. Assim:
-A maioria dos turistas vai pra Piri atrás de comida regional e bares. Há um público restrito para alta gastronomia;
-Demora a surgir na cidade um estabelecimento que faz "valer a viagem", como diz o Guia Michelin.



Pois eu tenho uma excelente notícia pra dar aos fãs de Piri: Surgiu um estabelecimento que faz "valer a viagem"!;) E o estabelecimento é bastante improvável: Um pub irlandês, vejam só! Chama-se THE BRIAN BORU - nome de um herói irlandês - e fica na tradicionalíssima Rua Direita, que foi endereço de lugares emblemáticos da cidade, como o Atelier do artista de mobiliário Maurício Azeredo, o PÃO DO ALEMÃO, o CAFÉ PAND'ORO, o ARMAZÉM DA RUA DIREITA e por aí vai...


THE BRIAN BORU

O THE BRIAN BORU é obra de um irlandês que se apaixonou primeiro por Piri e depois por uma goiana. Aliás é obra dos dois para ser mais justo. Com vcs, Mr. Patrick...
Patrick
O que eu acho mais impressionante no pub é a disposição do Patrick para cantar a noite toda! Daiane, esposa de Patrick, toma conta - com competência e simpatia - do atendimento e do salão.


U2, banda de rock irlandesa

Para beber, chopes da HOP CAPITAL brasiliense, chope verde - tipicamente irlandês - algumas cervejas artesanais e, claro, a icônica (cerveja irlandesa) GUINNESS!;) Há tb drinks e uísque irlandês, além do tradicional licor irlandês BAILEYS.




Para comer, dadinhos de tapioca e bolinhos de carne com mandioca frita (ótimos), entre outras coisas. Há projeto de servir-se rotineiramente o café da manhã irlandês. Preços razoáveis e ambiente encantador.


Daiane

 



Eu realmente adorei o THE BRIAN BORU e o saúdo como o lugar mais bacana que surgiu lá em Piri nos últimos tempos. Então, com o THE BRIAN BORU Piri, que já era um encanto, ficou mais encantadora ainda... era só o que faltava! Cheers...

THE BRIAN BORU
Rua Direita
Pirenópolis-GO

Cozinha/bebidas - **1/2
Serviço - **1/2
Preços - **+
Ambiente - ***
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível

quarta-feira, 31 de julho de 2019

MARINA CAVECHIA (TETA CHEESE BAR, Brasília-DF)

5 PERGUNTAS PARA MARINA CAVECHIA, SÓCIA DO “TETA CHEESE BAR” EM BRASÍLIA:




1) Então vc já trabalhava com cervejas - com o André, sócio - antes do bar, e tinha gosto por queijos como uma boa mineira?

Eu gostava muito de queijo, mas não fazia ideia da diversidade dos queijos brasileiros. Eu só conhecia o queijo de trança, o fresco, o "meia cura" e aquele pra ralar e fazer pão de queijo. Esse era meu único universo. Um dia, fiz uma vivência na Serra da Canastra com o Fernando Oliveira, da A Queijaria (SP). Lá eu tive contato com os mil gostos de Minas Gerais. Fiquei maluca, completamente eufórica. Não conseguia entender como eu não conhecia aquelas preciosidade produzidas no mesmo estado onde eu nasci. Foi assim que começou meu interesse. Isso deve ter uns 4 anos. Desde então eu estudo, faço cursos de produção e maturação, visito fazendas produtoras, viajo para fora do Brasil em busca de conhecimento e trago especialistas para divulgar a cultura queijeira em Brasília. A ideia, a identidade e o conceito do TETA foram construídos a partir dessas experiências aliada à nossa (minha e do André) formação e experiência com cerveja artesanal.

2) Vcs tem algum vinho nacional encorpado na carta? Se sim, que queijos recomenda para harmonizar? (pergunta da fã da página Zilmara Monteiro, fisioterapeuta em Brasília)

Infelizmente ainda não temos vinhos tintos brasileiros na carta. Estamos começando a trabalhar com vinhos naturais. Temos aqui um Rosé da vinícola Boroto. São vinhos bem diferentes porque não levam conservantes. De qualquer forma, aí vai a dica: vinhos mais encorpados pedem a companhia de queijos bem maturados e complexos. Temos vários aqui na loja: Mandala (Pardinho), Kanonenko (Refazenda), Sol (Pé do Morro), Sinueiro (Belafazenda)...
Vinhos mais leves e espumantes vão bem com queijos mais jovens ou de massa mole e mofo branco. Lua da Serra (Pé do Morro), Flor de Figo (Cabríssima), Dente de Leão (Vale das Ovelhas). De qualquer forma, devo dizer que queijos harmonizam muito melhor com cervejas. É possível encontrar a cerveja perfeita para cada queijo já que as variações entre as cervejas são mais evidentes e as possibilidades muito maiores. Por exemplo: um boursin com cobertura de capim limão vai ficar uma delícia com uma Saison ou uma Wit.




3) Não está ocorrendo uma valorização excessiva dos queijos feitos de leite cru, como se fossem sempre melhores que os feitos de leite pasteurizado?

Acho que não. Os queijos de leite cru, em muitos casos, carregam a tradição de uma região. Eles são feitos de forma natural sem a dependência de laboratórios que vendem fermento em saquinho. Queijos de leite cru carregam mais sabor, mais complexidade por causa dessas bactérias boas presentes no leite de boa qualidade. Por séculos, o leite cru foi demonizado no Brasil e o queijo de leite pasteurizado era o único caminho possível. Por causa disso, produções tradicionais como em Minas Gerais e Santa Catarina quase desapareceram. Milhares de família trabalharam e ainda trabalham na clandestinidade por causa disso, sem falar nas pessoas que desistiram de produzir simplesmente porque no Brasil, queijo de leite cru era considerado ilegal. A tradição iria morrer e, com ela, a história e muito sabor. O queijo de leite cru deve ser muito valorizado mesmo porque ele significa resistência, significa a luta de pequenos produtores para mudar a legislação que foi feita para a indústria e nunca foi pensada para valorizar o produtor artesanal.

4) Qual a proposta do "Teta"?

O TETA é um bar com bebida e comida boa e isso só é possível graças ao Pablo Julio, nosso sócio que cuida da parte de gastronomia. Nosso cardápio da noite passeia entre pratos tradicionais de boteco (bolinho de arroz feito com queijo canastra) e polenta com ragu de linguiça e pratos mais diferentões como nosso sanduíche de pirarucu defumado e o risoto de abóbora com queijo azul de cabra. Há um mês abrimos a casa para o almoço com opções de entrada, pratos principais e sobremesas. O queijo entra até nas sobremesas, claro.




5) Cite 3 queijos brasileiros que não se deve deixar de provar?! Mencione um bar e um restaurante que lhe agradem em Brasília!

Ai, essa pergunta dos queijos preferidos é muito difícil. Mas toda vez que monto uma tábua para algum cliente faço questão de colocar um queijo tradicional (da Canastra ou do Serro, por exemplo), um queijo de cabra ou ovelha bem inovador (Flor de Figo, Azul do Bosque ou Azulão, por exemplo) e um inovador de vaca (Sol, Duzu, Limão..). Nós temos ótimos bares de cerveja artesanal em Brasília, de drinks nem tanto. Quando eu quero sair um pouco do universo da cerveja vou para o Bambambã, os melhores drinks da cidade. Meu restaurante preferido em Brasília é o Authoral, simplesmente amo.


OBRIGADO.


quarta-feira, 17 de julho de 2019

COWTAINER (Brasília-DF)

BRINCADEIRAS

Saindo por aí, percebe-se uma grande variedade de fórmulas de bares: Bares tradicionais, bares de cervejas com foco nas artesanais/importadas, bares de vinhos/coquetéis, gastropubs, bares hamburguerias, enfim, tem pra todos os gostos!
A oferta de bares cresceu e se sofisticou a tal ponto em Brasília que causou um encolhimento  - que chegou a ser chocante em pelo menos um caso - significativo do número de estabelecimentos tradicionais e anteriores à onda gourmet.


O extinto Bar do Mercado

O fechamento de uma casa é sempre ruim para todos, mas resulta de uma adequação do mercado à demanda ou de incompetência mesmo, falta de sorte. Há sempre um que de mágica no sucesso de uma casa, e o fracasso é sempre mais fácil de ser explicado que o sucesso. Mas por outro lado se o fim de uma casa é ruim num primeiro momento pode ser uma oportunidade para que o perdedor vislumbre... uma outra oportunidade. Ninguém deve se esquecer que o famoso restaurateur e gentleman Rogério Fasano já teve que fechar restaurante...Não adianta, é como gosto de dizer, no comércio ninguém sabe quem vai estar aberto daqui a 1 ano! (...).


Eduardo Bier

Eduardo Bier, sócio da cervejaria gaúcha DADO BIER, disse numa entrevista recente que, das atuais 1.000 cervejarias artesanais do Brasil, muitas não sobreviverão no médio prazo.
Mauro, ex-Diretor do GRUPO JORGE FERREIRA em Brasília que abriu um restaurante no BRASIL XXI, diz por sua vez que os jovens só querem saber de cerveja IPA e de hambúrguer, e que o chope com petiscos tradicionais que fizeram a fama das casas deste grupo só atraem hoje quarentão e cinquentão aos bares.
A partir destas afirmações, é razoável a gente especular que...provavelmente algumas hamburguerias e bares de cervejas tombarão pelo caminho, assim como tombou um dia o BAR DO MERCADO e agora sai de cena o tradicional MARTINICA CAFÉ.




Bom, mas só com o tempo saberemos quem vai resistir e quem vai eventualmente perecer na selva em que se tornou o segmento de bares na capital do país. Enquanto isso, cada um inventa uma brincadeira para atrair clientela!;)


BEER CLUB

Assim (lista não exaustiva):
-Muitas torneiras de chope: SANTUÁRIO, DELIRIUM CAFÉ, I LOVE BEER;
-Autosserviço de chope: BEER CLUB;
-Chopes exclusivos/diferenciados: PUBLICAN;
-Queijos artesanais: TETA ;
-Coquetéis: EMPÓRIO IRACEMA, LOCA COMO TU MADRE, PINELLA;
-Ambiente sofisticado: LONDON STREET, BALCONY;
-Vinhos & carne suína: IVV.
E por aí vai. E no COWTAINER, qual a brincadeira? Comer costela, ora!;)




Situado no PIER 21, point jovem, o COWTAINER acoplou um almoço com grelhados e rodízio de guarnições ao serviço de uma choperia noturna. Com várias torneiras servindo basicamente chope nacional e cervejas em garrafa, é uma ótima opção para uma noite animada de papo com os amigos;) Um dos sócios é tb sócio do tradicional BEIRUTE, cujo chope é sempre servido por lá.




Do cardápio de petiscos, destaco o ótimo croquete de...costela, claro! No almoço, brilha a paçoca de carne. Sobre a costela, carro-chefe da Casa, sinceramente não impressiona. Bom serviço e preços razoáveis.




E quem será que vai nos apresentar a próxima brincadeira?!;)

COWTAINER
PIER 21

Cozinha/Bebidas - **+
Serviço - **+
Preços - **+
Ambiente - **+
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/regular
* - Sofrível




terça-feira, 2 de julho de 2019

CHEF RONALDO ROSSI (CERVEJOTECA, São Paulo-SP)

6 PERGUNTAS PARA O CHEF RONALDO ROSSI, PROPRIETÁRIO DA LOJA/BAR ‘CERVEJOTECA’ EM SÃO PAULO-SP:





1) Sabe-se que vc da Faculdade de Nutrição foi para a cozinha e se tornou Chef, ainda bem jovem...como surgiu a cerveja na sua vida profissional?

-De fato o caminho foi o contrário, eu iniciei na gastronomia muito novo, era um hobby, algo que com o tempo e nenhum planejamento acabou se tornando profissão, era uma época em que não existiam faculdades de gastronomia, os profissionais diplomados faziam as suas graduações no exterior, por aqui o mais próximo disso eram os cursos profissionalizantes de cozinheiro internacional e a faculdade de hotelaria, mas eu continuei estudando sozinho, testando na prática e ouvindo alguém mais experiente todas as vezes que tive oportunidade, e assim foi, do hobby, para as primeiras encomendas, os eventos, as aulas e o convite para assumir a primeira cozinha, perto dos 21 anos, o convite seguinte foi para assumir consultorias, a docência na faculdade de gastronomia e aqui estamos.
A nutrição veio quando já tinha uns 10 anos na cozinha, foi importante na época, mas é uma área com a qual nunca me identifiquei de fato, a ponto de nunca ter solicitado o meu CRN.
A cerveja foi o hobby que ficou no lugar da gastronomia, no início só a degustação, as festas regadas a cerveja e a lembrança de bons momentos, com o tempo o estudo e a busca do conhecimento, o curso de sommelier e mais uma vez o convite para assumir a próxima turma como professor. Foi muito fácil juntar as duas áreas, os interesses são próximos e o envolvimento de aromas, sabores e texturas é perfeito.


2) Mencione 5 (ou mais...) cervejas inesquecíveis que vc já tomou?!

-A minha lista é pública, já foi publicada muitas vezes e é super curioso como ainda tem gente que se aproxima para questionar alguma coisa dessa lista:

- Orval;
- Rodenbach Caractère Rouge;
- Rochefort 10;
- Brooklyn Black Ops;
- St. Feuillien Grand Cru.

Essa lista é antiga e bem mais longa, preciso atualizar e mais do que isso, preciso colocar várias cervejas brasileiras que hoje em dia merecem o reconhecimento que estão começando a ter, posso destacar: Dádiva, Tupiniquim, Lohn e uma série de ciganas como: Dum, Hocus Pocus, Mafiosa, Synergy, Morada...


3) Qual cerveja brasileira mais te surpreendeu positivamente e pq? (pergunta da fã da página Paula Figueiredo, ex-proprietária da ‘Grote Bier’ em Brasília)

-Colocar só uma é muito difícil, mas mesmo correndo o risco de ser injusto, destacaria a Juan Caloto Mi nombre és Venganza. Uma cerveja completamente fora de estilo, uma double juicy ipa com uma pegada ácida, só provando para entender.
4) Como vc vê a cena cervejeira no país hj? Quais os maiores problemas?

-É um mercado em desenvolvimento, estamos no início absoluto, temos as dificuldades do custo Brasil, impostos altos, logística complicada, o Real desvalorizado frente ao Dolar, some tudo isso à perda do poder de compra do brasileiro, temos a primeira resposta do porque esse mercado não cresce.
Outro problema é o fato de que a maior parte de nós não se esforça muito para cativar os novos consumidores. Por arrogância, prepotência ou mesmo desinformação alguns profissionais tratam com desdém os consumidores em potencial, que hoje em dia tomam as cervejas populares. Tive que ouvir inúmeras vezes frases como: “eu não tomo vinho porque acho que é muita frescura” ou “esse pessoal do vinho coloca tanta regra pra se tomar uma taça que eu prefiro não aprender nada e continuar apreciando o meu vinho para não me tornar um deles”, aprendemos exatamente como fazer isso, afastar potenciais consumidores por uma glamourização excessiva de algo que até hoje foi um instrumento de diversão, socialização e sorrisos e não deveria nunca perder isso.


5) Qual o maior desafio da harmonização entre cervejas e pratos?

-Harmonização é o auge, o máximo da experiência gustativa. Os sabores são somados e fazendo uma analogia teríamos algo como: 2 + 2 = 5. Precisamos conhecer as duas partes (cerveja e prato) para que possamos gerar experiência, é impossível harmonizar de fato com um exemplar de estilo cervejeiro desconhecido, assim como sem conhecer os temperos ou o modo de preparo de um prato, o mais legal é que se você estiver disposto a provar e na hora a combinação não foi a melhor possível o pior que pode acontecer é você ter que beber e comer em momentos separados, não há nada pior do que isso, então escolha as suas cervejas e boa sorte, vamos provar.


6) Indique uma cervejaria e um restaurante em São Paulo que lhe agradam! Fale-nos um pouco sobre sua loja/bar...

-Vou destacar duas casas muito legais, a Cervejaria Nacional e a Rota do Acarajé, respectivamente a mais antiga cervejaria da cidade de São Paulo com sampler, rótulos sazonais e boa comida; na Rota além de muitas cervejas e cachaças você ainda pode provar a melhor comida baiana de São Paulo.
A Cervejoteca é a mais antiga loja de cervejas de São Paulo, chegamos aos 7 anos e desde o começo a ideia foi ter uma grande carta de cervejas com a ideia de propagar a cultura cervejeira. Fiz com a intenção de receber os amigos como se estivesse recebendo na minha própria casa, lugar para conhecer novidades, aprender um pouco, trocar experiências, tomar boas cervejas, dar boas risadas e ficar em paz. Os amigos que já conhecem sabem do que estou falando, os que ainda não conhecem estão convidados para tomarmos umas e darmos boas risadas, fico aguardando, abração.


OBRIGADO.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

FRITZ (Brasília-DF)

CHUCRUTE

Morreu o velho Fritz, o guerreiro da pioneira rua dos restaurantes da capital do país. Digo pioneira pois hj existem pelo menos umas 10 ruas de restaurantes na cidade, mas foi ali na 404/5 sul que o austríaco Fritz plantou seu já longevo restô austríaco/alemão, e que leva seu nome, nos idos de 1980 se não me falha a memória.


Fritz

O restaurante é longevo como o foi tb o seu fundador, morto já aos 90 anos. Será talvez o comércio mais antigo daquela rua. Fui muito lá, e ainda vou, embora com menor frequência. Fala-se muito da truta do FRITZ, mas meu prato predileto lá sempre foi o estrogonofe, perfeito nessas noites mais frias que se anunciam acompanhado de uma taça de vinho tinto. Mas o joelho de porco, os embutidos e o apfelstrudel são clássicos do restô e dessa culinária, e lá é um dos poucos lugares de Brasília onde se encontra o rollmops, uma entrada do tipo "ame-a ou deixe-a";) Há tb coelho, pato, o tradicional shnitzel, salada de batatas, chucrute e...cervejas, claro!;)


rollmops

Pena a morte do velho Fritz, tomara que o restaurante sobreviva à sua morte. E seja feita a reforma tão necessária (...)
Brasília tem hj uma diversidade notável de estabelecimentos, mas há lacunas incompreensíveis. Se sobram italianos, contemporâneos, churrascarias, pizzarias e hamburguerias, há uma pobreza de portugueses, espanhóis e alemães. E aí é o tal negócio, "em terra de cego,..."





 Assim, o longevo FRITZ passou nesses anos todos de um dos 'restaurantes chiques' da cidade (anos 80) a representante da especialidade alemã/austríaca. De chique não tem mais nada em vista da elevação do padrão dos restaurantes em geral nessas últimas décadas. As coisas mudam, e na Brasília dos dias de hj quem for ao GERO e depois ao FRITZ vai achar este último muito simples!
Mas, se o FRITZ nunca serviu nada mais marcante, tb nunca serviu nada ruim, embora o SERVUS hj ofusque a cozinha do velho FRITZ.


SERVUS 

É interessante notar que os restaurantes alemães de Brasília são muitas vezes pertencentes a austríacos, e não a alemães. É o caso do FRITZ, do FRED e, até um certo ponto, do SERVUS.  O FRED nunca foi alemão, aliás o FRED nunca teve conceito. Tem alguns pratos alemães pois seu fundador era austríaco, mas vive mesmo é de servir picadinho!


Picadinho do FRED

Outro restaurante e bar com inspiração alemã mas que tornou-se variado é o velho BIER FASS. De alemão só sobraram uns poucos pratos no cardápio e o nome...
Voltando ao FRITZ, sua boa cozinha e a regularidade da mesma, o bom serviço e os preços contidos têm feito dele, todos esses anos, um porto seguro para almoços de colegas de trabalho durante a semana e de famílias aos fds, com seus pratos fartos. 







A finalização dos pratos no salão do velho FRITZ é uma das cenas mais emblemáticas da memória gastronômica brasiliense!
Descanse em paz velho Fritz, Brasília deve muito a vc. Seu legado de perseverança e dedicação ao restaurante não será esquecido. Espero ainda por muitos anos ir provar a 'comida alemã com gosto de Áustria' que fez a fama do longevo FRITZ!
Auf wiedersehen...

FRITZ
CLS 404

Cozinha - **+
Serviço - **+
Preços - **+
Ambiente - **
Acolhida - **+

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível






sexta-feira, 31 de maio de 2019

WERNER HEYING (ZUR ALTEN MÜHLE, São Paulo e Embu das Artes-SP)

5 perguntas para Werner Heying, sócio do Bar ZUR ALTEN MÜHLE, São Paulo e Embu das Artes-SP:




1) Como surgiu a ideia do Bar? É um tipo de bar encontrado nas grandes cidades alemãs?

Meu pai, Wilhelm Heying, tinha uma loja de móveis na cidade de Embu das Artes, sendo que a clientela era predominantemente de alemães. Nos finais de semana, era oferecido caipirinha por conta para esses clientes. Até que houve a ideia de montar uma choperia tradicional alemã na região do Brooklin, que era o local com maior habitação alemã de São Paulo. A choperia foi aberta por hobby, e desde o começo já teve uma clientela cativa. Depois começaram a aparecer reportagens em revistas e jornais, e o movimento foi aumentando. Aberto inicialmente parecendo uma choperia, foi se transformando com o tempo em um restaurante também.

2) Vcs tem uma filial, não é? Fale um pouco de lá...

Nossa filial se localiza na cidade de Embu da Artes, na mesma região onde tínhamos a loja de móveis. Por ter um certo contato na cidade, e pelo fluxo de turistas nos finais de semana, achamos interessante abrir um restaurante lá. Foi aproveitado o mesmo nome do Brooklin, o que ajudou a alavancar o movimento. Lá basicamente nos dias úteis é servido um buffet por quilo, e nos finais de semana é à la carte. O cardápio de lá é inspirado no do Brooklin, com alguns pratos regionais, como Picanha e Leitão.

3) Quais os principais tipos de chopp e cerveja oferecidos?

Chopp: Brahma, Brahma Black, Stella Artois. Cervejas: predominam as alemães Weissbier: Erdinger, Weihenstephaner, Franziskaner, Paulaner, Jacubinus; Lager: HB, Warsteiner, 1795, Paulaner, Jacubinus, 8.6; Stout: Guinness.



4) Que petiscos têm mais saída? Recomende um prato principal para quem for almoçar no ZUR!

O carro-chefe é o Bouletten (bolinho de carne), e vários canapés (roastbeef, tartar, queijos, linguiça blumenau e frios variados), além dos tradicionais como o Kassler e o Eisbein.



5) Mencione um bar e um restaurante que lhe agradam em São Paulo!

Em matéria de bares, temos muitas boas opções em São Paulo, entre eles: Veloso, Bar do Luiz Nozoie, Bar do Giba, Dona Onça, Original, Bar do Elídio, Dedo de Moça. Estão entre alguns dos meus preferidos.
Em matéria de restaurantes não sou muito fã, sou mais botequeiro... mas entre os meus favoritos estão: Rancho Português (servem um ótimo bacalhau e um ótimo leitão), Mate-Doce (servem churrasco e self-service), La Quottidiana (do chef Sérgio Arno).


OBRIGADO.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

TREVISO GALETERIA (Brasília-DF)

COXINHAS E ASINHAS

Finalmente inaugurou - embora não oficialmente ainda - o tão aguardado DELIRIUM CAFÉ brasiliense, filial da famosa cervejaria belga.
Aos poucos, a cena cervejeira da cidade vai se reconfigurando. Quem não se adaptar aos novos tempos corre o risco de ficar pra trás...
A era é das choperias, que o digam LONDON STREET, BEER CLUB, PUBLICAN, I LOVE BEER e o próprio DELIRIUM CAFÉ, com suas 20 torneiras, de onde jorrava um delirium red 'fruit beer' inesquecível na minha última visita...Ter um diferencial conta muito tb. Assim, o LONDON atrai por seu ambiente classudo de pub britânico, o PUBLICAN pelas cervejas raras, o BEER CLUB pelo autosserviço (my tap) do chope, o I LOVE BEER pela grande quantidade de torneiras, e por aí vai...


DELIRIUM CAFÉ

Como sempre, eu tenho ido a vários lugares, alternando lugares simples com sofisticados, provando comida tradicional e conhecendo tendências. Gil Guimarães primeiro entrou na onda da pizza e a levou às últimas consequências, pode-se dizer sem exagero. Acho excelente a pizza da BACO, mas sinceramente tenho evitado gastar muito com pizza; acho que sair pra comer uma pizza e tomar uma taça de vinho e gastar 100 pratas tira um pouco a graça de uma experiência que deve ser simples!


Gil Guimarães


BACO
Gil é esperto e percebeu tb que o hambúrguer ia virar tendência, e aí veio o... PARRILLA MADRID, ao lado da BACO (asa sul) e onde o restaurateur já teve casas de vários formatos. Era muito charmoso o AZULEJARIA, que servia espumante e ostras;) O MADRID serve um ótimo hambúrguer, mas o lugar é detestável, feio, escuro. As batatas fritas que comi na última visita estavam por sua vez péssimas. Resumindo: Não voltaria. Pena...


PARRILLA MADRID

Cervejarias e hamburguerias são tendências. Galeterias são uma ótima opção para um almoço de colegas de trabalho durante a semana ou para um almoço em família nos fds. É um ótimo negócio para um chefe de família levar 2 ou 3 adolescentes para almoçar num restaurante onde se come à vontade sem gastar muito!;)
Gostaria de recomendar hj a galeteria TREVISO, a que mais gosto de ir atualmente. É curioso notar que as galeterias aqui na capital seguem a fórmula gaúcha (rodízio), e não a carioca, onde ficava a capital antes de Brasília!



Até onde sei, a TREVISO é a única galeteria que serve a sopa de capeletti na entrada, tradicional nas galeterias do sul do país. No mais, acompanham o galeto maionese, salada verde, polenta frita, arroz de carreteiro, costelinha suína \o/ e massas. Tudo muito bom, inclusive o indefectível sagu de vinho na sobremesa.







A TREVISO é grande e ocupa toda a lateral de um bloco. Ambiente de galeteria, simples e inevitavelmente meio barulhento. Bom serviço e preços justos. Carta de vinhos a conferir. Rodízio de galeto é muito bom, mais barato e mais saudável que rodízio de carnes. Marcou época aqui em Brasília o INÁCIA POULET RÔTI - que não era rodízio - e seus galetos recheados de farofa de miúdos;)



Então é isso, a gente vai numa hamburgueria gourmet esperando isso e aquilo e não rola, e uma boa galeteria cujo dono não vive aparecendo nas revistas de gastronomia não nos decepciona...

TREVISO GALETERIA
413 NORTE

Cozinha - **1/2
Serviço - **+
Preços - **1/2
Ambiente - **+
Acolhida - **+

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível

segunda-feira, 22 de abril de 2019

BARISTA SULAYNE SHIRATORI (Brasília-DF)

5 PERGUNTAS PARA A BARISTA SULAYNE SHIRATORI:



1) Por que decidiu trabalhar com cafés?!

- O setor do café apareceu na minha vida, num momento em que estava iniciando o conceito de "café Gourmet". Foi em 2004 que tudo começou, um momento tímido, onde existiam pouquíssimas cafeterias que priorizavam a qualidade do café. Pois bem, como em qualquer negócio o primeiro passo é conhecer o setor, busquei informações e bons contatos para que pudesse iniciar o projeto da melhor forma. A minha meta era qualidade, apesar de ter pouco conhecimento sobre café. O meu primeiro parceiro foi o italiano Antonello Monardo, um dos pioneiros na cultura do café gourmet em Brasília. Com o passar do tempo fomos fortalecendo a parceria, bem como a amizade. Em pouco tempo me vi apaixonada pelo assunto... e com isso busquei me profissionalizar, fazendo cursos de Barista, degustação, inúmeras especializações em café. Um momento que me pegou de verdade, como dizem: "um bichinho do barismo" me picou, foi quando ministrei meu primeiro curso de Barista. Ali eu pensei, "disseminar a cultura do café será o meu grande objetivo !! " De lá para cá, não parei mais. Agora, tenho um espaço que se chama: Los Feliz Café/ Lab. & Co. onde tenho a oportunidade de trabalhar minhas consultorias, cursos de Barista e especialização em café. Atualmente, minha alegria está em disseminar a Cultura do Café - como diria Cora Coralina - " "Feliz aquele que transfere o que sabe, e aprende o que ensina."

Antonello Monardo

2) Além dos tradicionais ingredientes como água, leite, chocolate, vc já utilizou um outro que proporcionasse uma experiência inusitada para os apreciadores de café? Se sim, conte-nos como foi esta experiência...

- Não é necessariamente "novo", mas é uma experiência que encanta as pessoas, é a possibilidade de experimentar o café em diversos métodos: filtrado da marca Hario V60, percolação da Moka, Cafeteira Francesa, Aeropress, Chemex, Clever e outras formas novas de preparação do café. Além de um preparo contemporâneo que se chama: Cold Brew, que significa " extração a frio", onde fica de 12h até 36h na geladeira, uma verdadeira extração do café a frio. Um método inovador para os brasileiros, que agora estão se acostumando a apreciar o café frio!!

3) Como vc avaliaria o café brasileiro - quanto à qualidade - no contexto mundial?

- O café sempre teve grande importância na balança comercial. No cenário internacional, lidera há muitos anos, com o título de maior "produtor e exportador" de café. Porém, há pouquíssimo tempo que saímos da condição de país commodity para marcas que priorizam o valor agregado, e além de produzirem excelentes café " in natura" desenvolvem marcas de café, com sensacionais perfis de torra e notas sensoriais. Diversos países procuram nossas propriedades em busca do melhor café. Além de produzirmos em escala, somos cobiçados pelos nossos manejos culturais e pela tradição. Não poderia deixar de citar os fatores que nos colocam em primeiro lugar no ranking, e que são: desenvolvimento, tecnologia, volume e também qualidade.

4) Quais as principais atividades de um Barista?

- O Barista é o profissional responsável pelo serviço do café numa cafeteria. É dele a responsabilidade da excelência do Café. Sobretudo, ser conhecedor de todos os elos da ‘cadeia’. O Barista está na ponta desta ‘cadeia’, por isso desempenha um papel de extrema importância para a qualidade do café na xícara.


5) Onde seu trabalho pode ser conhecido aqui em Brasília? Mencione um restaurante aqui que lhe agrade e sirva um excelente café, claro!

- Bom, para conhecerem meu trabalho em Brasília, poderão visitar o Antonieta Café (708/709 norte), onde compartilho o espaço, e tenho um laboratório o Los Feliz Café/Lab. & Co. Também, poderão conferir meus trabalhos nas mídias sociais - @sulayneshiratori (Instagram e Facebook) e @losfelizcafelab (Instagram e Facebook).
Pois bem, não gostaria de citar um restaurante, pois a maioria valoriza a qualidade da comida e negligencia a qualidade do café. Sobretudo, irei citar excelentes Cafeterias que priorizam o conceito de "Café Especial". Meu roteiro de bons cafés é: Antonieta Café (708/709 norte), Los Baristas, Clandestinos, Seu Patricio Meu Querido Café, Objeto Encontrado, Castália casa de pães, Belini Cafés Especiais, Dr. Café, Ernesto Café.



ANTONIETA CAFÉ

OBRIGADO.

THE BRIAN BORU (Pirenópolis-GO)

ERA SÓ O QUE FALTAVA... Eu sempre achei, mas nada impede que um dia ainda mude de opinião, que Piri é o lugar mais bacana para se passar...