terça-feira, 21 de janeiro de 2020

BAR BRAHMA (Brasília-DF)

NOVOS TEMPOS

Sampa é um delírio para os fãs de gastronomia, com seus ótimos restaurantes, bares, mercados e empórios. É uma cidade para desfrutar não só da variedade de estabelecimentos, mas tb para conhecer tendências e apreciar o alto padrão de serviço, algo que não é exclusivo dos restaurantes e bares aliás.
Nas minhas idas esporádicas a Sampa, às vezes conheço um lugar novo, mas volto regularmente a lugares dos quais eu gosto, o que eventualmente pode ser uma exigência do meu trabalho no blog tb. Mas é muito difícil eu deixar de ir a certos lugares. Um deles é o emblemático Bar/restaurante ZUR ALTEN MÜHLE, o alemão do Brooklin, um dos bares mais legais que conheço (não fui a poucos...;)) Faz 40 anos o Zur este ano, vida longa ao Zur!


Zur Alten Mühle

Muito difícil tb deixar de fazer uma visita ao empório EATALY, que nenhum apreciador da gastronomia deve deixar de conhecer. Repito: Nenhum! Sensacional. Pode-se inclusive almoçar por lá, num dos seus vários restaurantes.


Eataly 

A CASA SANTA LUZIA (um baita empório, talvez o mais sofisticado do país) é tb um programaço para os gourmets. Na minha última visita a Sampa aproveitei para revisitar a tradicional churrascaria RODEIO, o templo da picanha fatiada e do arroz 'biro-biro' (pratos criados lá). Dizia o ex-ministro Delfim Neto que "ter poder é conseguir mesa na RODEIO";)


Rodeio

Foi de Sampa que o falecido empresário Jorge Ferreira trouxe o BAR BRAHMA para Brasília. Este bar/restaurante é o nosso tema de hj, Senhoras e Senhores...
Pode até não ser que o Grupo Jorge Ferreira esteja agonizante, mas o fato é que passou por um enorme encolhimento, e luta bravamente para que as 2 casas restantes (BAR BRAHMA e BAR BRASÍLIA) sobrevivam na selva em que se tornou o segmento de bares/restaurantes na capital do país!


Bar Brahma

A verdade é que o Grupo Jorge Ferreira cresceu exageradamente, no embalo dos múltiplos relacionamentos que o empresário cultivava: Artistas, políticos, escritores, boêmios...E eu sempre achei que o grupo ocupava mais espaço do que merecia, e por uma razão muito simples: As casas do Jorge Ferreira se repetem, a fórmula é semelhante: Decoração carioca e cardápio do sudeste.

Então é forçoso a gente reconhecer que a, digamos, adequação à realidade - por mais duro que isso possa ser para administradores e funcionários - do Grupo Jorge Ferreira aos novos tempos - não devemos tb nos esquecer da morte do empresário em 2013 - veio junto com novas casas com novas fórmulas que aportaram na cidade. Para o consumidor,  uma cidade com 2 bares do Jorge Ferreira e o PUBLICAN, o CÃO VÉIO, o TETA CHEESE BAR e o BALCONY é muito mais legal que com 10 bares do Jorge Ferreira servindo as mesmas coisas!


Empório Iracema

Resumindo, as novas tendências e a morte precoce de Jorge Ferreira levaram a um encolhimento do grupo. O jovem hj em dia quer tomar (cerveja) IPA, comer hambúrguer e ir ao MERCADITO tomar um gin...;)
E o BAR BRAHMA? Ele tá lá, firme no seu excelente ponto para almoço e happy hour. Eu simpatizo com a homenagem à cozinha brasileira do BAR BRAHMA, e o lugar tem o charme dos bares antigos, uma marca dos bares de Jorge aliás. Mas as mesas precisam ser trocadas urgentemente.
Já comi várias coisas por lá, entre sandubas, pratos e petiscos. Nada impressiona, mas tb nada chega a ser ruim, embora a feijoada chegue perto disso (...) Não repetiria. Chope comum, algumas cervejas da Colorado e uma boa carta de cachaças. Lançaram uma carta de gins, afinal o MERCADITO tá ali em cima! (...) Para petiscar tente as iscas de peixe ou o croquete de carne de panela. 




O serviço é lento, dá a nítida impressão de faltar pessoal. Preços na média. O BAR BRAHMA soma ao oferecer pratos e petiscos tradicionais. Onde mais achar 'azul marinho', um prato do litoral fluminense com peixe e bananas?! Tem galeto, caldeirada paraense, enfim, de tudo um pouco...é um lugar ótimo para grupos, com pratos variados e fartos. Servem um bufê no almoço durante a semana, barato mas pouco convidativo.
Os tempos são outros, e os bares tb. Bares de drinks, com chopes lupulados, com queijos artesanais e com petiscos assinados por Chefs tornaram o bar que serve chope e calabresa - ao som de chorinho às vezes - pouco atraente para os jovens. Isto impõe um desafio a bares como o BRAHMA, que só quem viver verá se sobreviverá ou não aos novos tempos e à falta que faz seu fundador...


BAR BRAHMA
CLS 201

Cozinha/Bebidas - **
Serviço - **
Preços - **+
Ambiente - **+
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível




terça-feira, 14 de janeiro de 2020

CHEF FRANCESCO BRAVIN (VITTORIA D'ITALIA, Brasília-DF)

5 PERGUNTAS PARA O CHEF FRANCESCO BRAVIN (‘VITTORIA D’ITALIA’, BRASÍLIA-DF):

1) Quais os destaques da gastronomia (incluindo os vinhos) da sua região na Itália?!

-Minha região na Itália é o Veneto, no nordeste da península, onde podemos encontrar vários pratos típicos. Como bons exemplos temos os embutidos: "salame", "soppressa", "ossocollo", "coppa"; e também temos queijos como o Asiago, o Latteria. Um prato bem caraterístico nosso é a polenta, ela foi a base da alimentação nos anos de guerra. Os vinhos mais famosos são o Valpolicella, o Amarone, o Bardolino, sem esquecer do famosíssimo Prosecco.


2) O que indicaria do cardápio a quem vai conhecer o seu restaurante?

-No Vittoria d´Italia elaborei um cardápio focado nas massas, com mais de 20 tipos de molhos, onde o que tem maior destaque é o carbonara original. A lasanha de bolonhesa também é uma boa pedida. O carpaccio de atum (prato que criei em Barcelona) é uma entrada leve e delicada, que sai bastante. Outras entradas, como a burrata, o carpaccio de carne com trufa preta e a tradicional polenta cremosa com gorgonzola também são excelentes pedidas. O tiramisú é o mais indicado entre as sobremesas, a receita antiga da minha família é um SUCESSO!




3) Gostaria de saber se o restaurante teve que se adaptar ao paladar e temperos brasileiros ou se os pratos seguem um modelo 100% italiano? (pergunta do fã da página ADELSON FILHO, psicólogo em Brasília)

-Antes de abrir o restaurante aqui na capital, eu era chef de um dos melhores restaurantes italianos de Barcelona (Espanha), e tentei não ser influenciado pela gastronomia local, para que a minha cozinha ficasse o mais original possível! Aqui em Brasília, falando a verdade, tive que fazer algumas poucas modificações, como servir os pratos com mais molho que o normal, fazer os risottos um pouco mais cremosos. Acho que tudo isso pode ser considerado uma forma de adaptação. O ponto das massas e dos risottos seguem iguais. O limão utilizado nos pratos é sempre o siciliano, e o tiramisú é feito com mascarpone!


4) Indique um restaurante e um bar em Brasília que lhe agradem?!

-Gosto muito da cervejaria London Street, que fica ao lado do Vittoria d'Italia. Lugar aconchegante e com pessoas bem bacanas. Como um bom amante de pizza, considero a pizzaria La Fornacella o lugar com a melhor pizza de Brasília, por ser fina, crocante e recheada com ingredientes iguais aos que eu comia no Vêneto.

London Street

5) Quais as suas impressões da cozinha brasileira? Qual seu prato brasileiro favorito?

-Quando cheguei aqui há 5 anos, foi um pouco difícil a aceitação de uma comida muito diferente da minha. Tudo era novo, sabores distintos, temperos variados, nunca antes provados. Foi uma experiência interessante, sem dúvida a cozinha brasileira é totalmente diferente da européia. Saindo do meu país, cheguei à conclusão que tanto a gastronomia mediterrânea, a daqui, ou a de outro país, têm um enorme valor e devem ser valorizadas, principalmente pela carga cultural que carregam. Hoje em dia, tenho que falar que gosto bastante da culinária brasileira!

OBRIGADO.

CHEF GABRIELA JABOUR (TERRUÁ PEQUENA COZINHA AUTORAL - Brasília-DF)

5 PERGUNTAS PARA CHEF GABRIELA JABOUR, DO RESTAURANTE TERRUÁ, BRASÍLIA 1- Então, parece evidente que o seu interesse pela cozinha vem das...