quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

CHEF BIRGIT FENZL (RESTAURANTE SERVUS, Brasília-DF)

ENTREVISTA (2009) COM CHEF BIRGIT FENZL, RESTAURANTE SERVUS, BRASÍLIA-DF:



1-Bom, Birgit, vc já é brasileira, mas fale um pouco das suas origens e de como veio parar em Brasília...

A família da minha mãe é da região do Mar Báltico (Rússia, Estônia, Letônia e Lituânia) e a do meu pai é da região do antigo Império austro-húngaro (Áustria, Rep. Tcheca, Hungria e adjacências). Essa multiplicidade se reflete na culinária de nosso restaurante. Meus pais se conheceram na Alemanha, viveram juntos alguns anos e, quando houve a oportunidade de um emprego para o meu pai no Brasil, ele era engenheiro, desembarcou em Santos e alguns meses depois mandou uma passagem de avião para minha mãe. Logo depois se casaram em São Paulo. Isso lá pelos idos de 1958. Eu e minha irmã nascemos alguns anos depois, em São Paulo capital. E nós nos mudamos para o Rio de Janeiro quando ainda éramos pequenas. Vivi no Rio de Janeiro durante 25 anos. Meus filhos nasceram lá.
Depois de alguns anos em Santos, viemos para Brasília.


2-E a ideia do restaurante, como surgiu?

Meus pais sempre comentavam em abrir um pequeno restaurante, quando
tivessem se aposentado, para servir basicamente Gulasch, o prato nacional austríaco e húngaro com Knödel (bolinhos cozidos à base de batata ou pão).


3-Qual a proposta do 'Servus'?

Ser um local onde se pode desfrutar da gastronomia tradicional austro-alemã e do leste europeu, em um ambiente acolhedor, enfim relaxar. Meus pais sempre deram maravilhosas e alegres recepções. Minha mãe não se furtava de preparar tudo ela mesma e todos os convidados sempre saíam muito satisfeitos. Meu pai era um verdadeiro anfitrião.

Da música no toca-discos aos guardanapos, tudo era perfeito. Eles sabiam receber e reunir as pessoas em torno de um bom papo, boa comida e boa música.

Esse clima de cordialidade é o que quero transmitir. E acho que estamos no caminho certo. Para completar, falta um espaço para dançar, a grande paixão de nossa família, e que deverá estar concluído este ano ainda.


4-Há uma diferença marcante entre as cozinhas alemã e austríaca? E as do Leste europeu?

Acredito que a gastronomia do antigo Império austro-húngaro seja mais diversificada do que a germânica. O que não surpreende, dada a quantidade de povos e culturas diferentes que viviam sob uma batuta só.


Viena, Áustria

5-Um austríaco come o que no café-da-manhã? E se leva a família para almoçar no domingo vão comer salsichas ou a coisa não é tão simples?...

O café-da-manhã é composto de café, leite, geléia, pães variados, queijo e frios.
O almoço no domingo é um mergulho na variada culinária do mundo.


6-Recomenda algum prato em especial a quem nunca foi ao restaurante?

Difícil de especificar, pois fizemos questão de reunir em um buffet um pouquinho da culinária alemã e austríaca. Todos podem voltar quantas vezes quiserem ao buffet e fazerem as suas combinações.

7-E os doces? Ouvi dizer que se orgulha da torta de maçã...

Ah o ´Apfelstrudel´. Não é bem uma torta de maçã e sim uma massa finíssima, esticada pacientemente sobre um tecido estendido sobre a mesa, recheado de maçã ralada, açúcar e limão. Depois é enrolada como se fosse um rocambole e assada.

8-Os vinhos brancos alemães e as cervejas são famosas; e na Áustria, o que se bebe?

A produção nacional de cerveja é grande e o consumo idem.
Cada região tem sua cervejaria. Muitas vezes mais de uma. O vinho austríaco é muito conhecido, principalmente o "Grüner Veltliner" (branco) e o "Blauer Zweigelt" (tinto). Somente na cidade de Viena existem nove vinhedos registrados. O menor deles tem por volta de um hectare.
Um espumante fantástico é da marca ´Schlumberger´. A grande variedade de destilados merece também ser degustada.


9-O que recomenda (bebida) para acompanhar seu famoso 'eisbein'(joelho de porco)? De onde vem sua matéria prima?

Uma cerveja de trigo gelada.
O Eisbein e embutidos vêm de São Paulo. Todos os outros ingredientes são daqui mesmo.






OBRIGADO.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

GROTE BIER (Brasília-DF)

NORÔ


Embora não seja nunca o mais importante, o ambiente charmoso de um restaurante ou bar pode agregar muito valor ao mesmo, além de ajudar a definir o seu público. É mesmo possível que alguém goste tanto do ambiente de um estabelecimento a ponto de frequentá-lo mesmo fazendo ressalvas aos 'comes e bebes', aos preços e/ou ao serviço! Em Brasília alguns estabelecimentos despertam paixão, como o UNIVERSAL DINER e o BEIRUTE. Nenhum dos dois é 'minha praia', mas podem ser...a sua!;)


UNIVERSAL DINER

Como hj vou falar em mais uma cervejaria de Brasília - temo inclusive que meu blog já esteja se tornando meio cansativo para quem não é fã de cerveja;) - vamos então nos ater ao ambiente dos bares. Visual👀Nível de ruído👂Cheiros👃
Acho que foram os franceses do grupo RELAIS & CHATEAUX que criaram a classificação de hotéis e restaurantes baseada nos "5 C". Se não me engano calma, cortesia, charme, cozinha e caráter. Podemos perfeitamente nos apropriar dela para avaliar um bar. Mas vamos esquecer a calma, quem quer calma não deve ir para um bar (...).
O ambiente de um bar talvez seja mais determinante para atrair o público que o do restaurante, afinal o bar, mais que o restaurante e por definição, é ponto de encontro. É lá que vc vai pra encontrar seus amigos, dar uma paquerada...o bar tem uma coisa fantástica que é a abertura para um novo conhecimento, quer dizer, é um lugar pra encontrar quem vc já conhece e tb pra conhecer alguém!🍻
Então vc pode frequentar um bar porque seus amigos vão lá - e isso faz o ambiente pra vc - ou porque vc gosta do lugar, e não se importa especialmente de ir lá mesmo sozinho. A conveniência (ser perto de casa ou do trabalho) conta tb. Me interessa a atração pura e simples pelo lugar, o que é necessariamente subjetivo.
Eu gosto de ir às vezes à GROTE BIER lá no noroeste, embora vá mais assiduamente a outra cervejaria.




E que tal a cortesia (atendimento), o charme, a cozinha e o caráter da GROTE?! A cortesia, o charme e o caráter do bar compõem o seu ambiente, e eu diria então que a GROTE é uma boa cervejaria para casais e grupos, tem um bom ambiente para esse público. Tem uma mini biblioteca, um telão onde passam jogos, shows, e tem música ao vivo praticamente toda semana (às sextas).




Com 4 torneiras de chope e muitas cervejas (e uns poucos vinhos), o ponto forte da GROTE pra mim é...a cozinha;) Petiscos imaginativos e bem executados, com cerveja em várias receitas. Tem petisco árabe, alemão, brasileiro, tem caldos, tem doce. Até um irish coffee rola por lá! Excelentes as salsichas do holandês Graumans, e tb o trio árabe frio (ricota/carne desfiada/berinjela) com pães "que vão muito além da figuração" segundo o cardápio...As 'apanadas' feitas pela Carla são uma boa pedida para os solitários. Há tb pequenas porções de quibes e esfihas de massa folhada.



A nova administração fez bem à GROTE, fundada pela Paulinha anos atrás lá na 409 norte, ainda na época das extensas cartas de cervejas. Os sócios Romolo, Raphael, Tomaz (da família proprietária da Cervejaria SOLERUN lá no Rio Grande do Sul) e Bia estão fazendo um bom trabalho na GROTE, uma casa para a qual enxergo longa vida num bairro de alto poder aquisitivo.


Da dir. para a esq. Romolo e Raphael

Assim, pela ótima cozinha e o bom ambiente (quase familiar, eu diria), recomendo a GROTE BIER. Vou encerrar, já falei muito na GROTE, tô ficando com fome...;)



GROTE BIER
CLNW 10/11, Bloco A
NOROESTE

Cozinha/Bebidas - **1/2
Serviço - **+
Preços - **+
Ambiente - **+
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

CHEF ROSARIO TESSIER (TRATTORIA DA ROSARIO, Brasília-DF)

ENTREVISTA CONCEDIDA (EM 2010) PELO CHEF ROSARIO TESSIER, PROPRIETÁRIO DA ‘TRATTORIA DA ROSARIO’, EM BRASÍLIA-DF:





1) Bom Rosario, fale um pouco da cozinha napolitana, da sua iniciação...

- Comecei a trabalhar em restaurante em 1971. Na época, ou a família podia te mandar para uma escola ou vc começava a trabalhar na pia em restaurante...não havia ‘glamour’...
Não haviam tantos restaurantes tb. Em Nápoles trabalhei 6 anos, e depois fui para o norte, já em 78. Há muitos peixes e massas com frutos do mar na região de Nápoles. E as pizzas, claro.


Nápoles


2) Como veio parar no Brasil?

- Trabalhei tb na Inglaterra e na Espanha antes de vir para o Brasil. Ao chegar ao Brasil comprei com um amigo o antigo restaurante ‘Enotria’ (Rio de Janeiro), e mudamos o nome. Depois vendemos, fiquei 6 meses no Hotel ‘Sheraton’ e com a minha parte na venda do ‘Enotria’ vim para Brasília. Quis transformar o ‘Gaff’ num restaurante mediterrâneo mas não consegui...depois abri o ‘Bocca de La Veritá’ com o Jorge Ferreira. Passei tb pelo ‘Partenopea’ e pelo ‘I Maestri’. Em 2003 abri o meu restaurante com 16 lugares.

3) Como vê a gastronomia italiana no Brasil hoje?

- Em 94 encontrávamos ainda poucos produtos importados. Verduras e hortaliças eram medíocres. Nos últimos 5 anos chegamos quase ao nível de São Paulo, melhorou muito. O nível dos restaurantes italianos melhorou junto.

4) Qual a proposta da ‘Trattoria da Rosario’?

- Minha cozinha é a do interior e das montanhas italianas. Temos sugestões que variam: Galinha d’angola, coelho, cordeiro, etc.

5) Sugira um antepasto, um prato principal e uma sobremesa para quem não conhece seu restaurante !

- Salada del golfo (folhas com frutos do mar), fettuccine na manteiga e sálvia com camarão e bottarga, e para fechar crème brûlée...

6) A cozinha do norte da Itália é melhor que a do sul, ou isto é mito?

- São diferentes, mas não há superioridade - isso é coisa do passado, quando o norte era muito mais rico que o sul.

7) Como napolitano, gosta da pizza brasileira?

- Sinceramente não me agrada muito o conceito brasileiro de pizza, há muita mussarela e muitas coberturas, muita mistura, é pouco saudável. Pizza é marguerita, alho e óleo e marinara (sem mussarela e com aliche)...

8) O que vc considera uma falha imperdoável num restaurante?

- Um prato quente servido frio...

9) Sente-se realizado?

- Me sinto. O público de Brasília é exigente e dá valor ao Chef que se sai bem.

10) Mencione um restaurante que lhe agrada em Brasília ! Tem admiração especial por algum Chef?

- ‘Dom Francisco’ (ASBAC). Chef Marcelo Piucco.


Marcelo Piucco


OBRIGADO.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

CHOPP STÜBEL (Porto Alegre-RS)

TRI LEGAL 

Um bar, assim como um restaurante, pode ser extraordinário por vários motivos. You name it... Sempre haverá um conceito, uma fórmula, e esta última sempre será executada, bem ou nem tão bem(...). Vamos nos deter nos bares?! Então, a gente saindo por aí, viajando, verá muitos deles, vai gostar mais de uns que de outros, vai se divertir...mas pode eventualmente se aborrecer - por algum motivo - em um ou em outro. Cerveja fora da temperatura correta, petisco mal executado, serviço sofrível, banheiro horroroso, música alta demais, enfim, podem acontecer muitas coisas que comprometerão  a experiência.
Tive a ventura na vida de conhecer alguns bares e restaurantes extraordinários.Tomei alguns vinhos e várias cervejas extraordinárias tb. Comi coisas muito boas. Mas tb já me aborreci em bares e restaurantes, comi e bebi mal, fui mal servido, torrei grana em experiências facilmente esquecíveis, enfim, coisas de quem se expôs muito(...).
Na minha recente ida a Sampa, retornei a um do bares de que mais gosto, o bar alemão do Brooklin, o inimitável ZUR ALTEN MÜHLE, comandado pelos irmãos Werner e Carlos Heying. O ZUR é extraordinário por seu ambiente germânico antigo. Mas os bolinhos de carne tornam a experiência marcante tb!


Werner no Zur...



Um bar pode ser extraordinário por vários motivos, até a localização pode fazer a diferença. Tome-se p.e. o caso do ASTOR carioca, em frente ao mar de Ipanema. Leva uma vantagem enorme sobre a filial paulistana, que tem em frente uma praça comum na Vila Madalena...


ASTOR Rio
Em Brasília há bares e restaurantes extraordinários?! Claro que sim. A cervejaria LONDON STREET é extraordinária pela recriação classuda de um pub britânico, o que faz dela a cervejaria preferida do público mais maduro da capital. Chique, sem música alta, ótimas cervejas, fish & chips pra petiscar e no serviço um dos melhores garçons da cidade: Diogo Davi. Não posso deixar de registrar tb a presença constante da dona no bar, a poderosa Fernanda Mesquita.


Diogo
Já a cervejaria PUBLICAN é extraordinária nem tanto pela variedade, mas pela sofisticação da sua carta de cervejas, o que faz dela a preferida pelos mais exigentes em matéria de cerveja. É um bar que faria sucesso em qq. grande capital do mundo. O BAR BRASÍLIA é tb extraordinário, assim como  a VARANDA PÃES ARTESANAIS. O GERO e a FOGO DE CHÃO (mas falta aos mesmos personalidade local, pois são restaurantes que vieram de fora) são tb extraordinários.


VARANDA

Andei por aí e não conheci nenhum lugar novo que diria ser extraordinário, mas um me agradou em especial: O CHOPP STÜBEL em Porto Alegre. Tradicional restaurante e bar alemão da cidade, tem uma característica que entrega logo o perfil do seu cliente. Ora, um restaurante alemão que só abre para o jantar tem uma clientela basicamente de origem... alemã, afinal a comida alemã é considerada pesada por nós brasileiros para o jantar. Está tudo lá, bons chopes e umas poucas cervejas - poucas até demais eu diria - steinhäger, salsichas, joelho, chucrute e um petisco que me agrada bastante e é difícil de achar: Rollmops (arenque em conserva com pepino, admitindo variações). Note-se na foto abaixo que não é sanduíche.


Rollmops
Talvez o carro-chefe da bonita casa seja o sanduíche aberto de frios, queijos, ovos, etc. e tal servido 'à moda de Porto Alegre', como conta o proprietário Norton, fundador da já longeva casa. Ótimo petisco, dá pra 2. Gostaria muito de voltar ao STÜBEL para experimentar alguns pratos principais, uma sobremesa, pena a distância de Brasília. O ambiente classudo, o bom serviço e os preços justos completam o conjunto.




Então é isso, em Porto Alegre não deixe de comprar seu queijo colonial no mercado público e depois almoçar no tradicionalíssimo GAMBRINUS, visite a CASA DE CULTURA MÁRIO QUINTANA e, numa noite, vá jantar ou 'tomar umas' no tradicional CHOPP STÜBEL. Satisfação garantida.
Wir sehen uns um.

CHOPP STÜBEL
R. Mariland
Porto Alegre -RS


Cozinha/Bebidas - **1/2
Serviço - **1/2
Preços - **+
Ambiente - ***
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível





terça-feira, 30 de outubro de 2018

NINNY (NINNY, Brasília-DF)





ENTREVISTA CONCEDIDA (EM FEVEREIRO DE 2008) POR NINNY, PROPRIETÁRIO DO RESTAURANTE ‘NINNY’(309 NORTE):

      1)  BOM, NINNY, FALE UM POUCO DA SICÍLIA E DE SUA GASTRONOMIA PARA OS BRASILEIROS!

- Tive a sorte de nascer em uma das terras mais ricas do mundo em termos gastronômicos. Uma verdadeira ‘Torre de Babel’.  Nasce Fenícia... e romanos ... passar por turcos, árabes – normandos (da Normandia), ... com angiannos (da Duca d’Angio, França) e espanhóis (Borbonnes). Tudo isso está harmonicamente misturado ganhando assim personalidade própria e  única.


2) QUANDO SURGIU SEU INTERESSE PELA COZINHA ?


- Sempre tive interesse, empurrado pelo mais nobre dos vícios capitais: A gula!

3) POR QUE DECIDIU VIR PARA O BRASIL E PARA BRASÍLIA?

- Por amor, só por amor. E se no início odiava Brasília ... agora não consigo ficar longe dela. Brasília já é parte de mim, uma parte indissociável. Não conseguiria mais viver longe de Brasília.


4) QUAL A PROPOSTA DO ‘NINNY’ E QUE PRATO RECOMENDA A QUEM NÃO CONHECE O RESTAURANTE?


- Ninny sou eu, no bem e no mal! Nunca cozinhei no restaurante alguma coisa que eu não gostaria de comer! Naturalmente massas, vários molhos ... sem cair na tentação do mercado, ficando preso às regras da tradição italiana, deixando bem pouco à fantasia!

5) VC É UMA FIGURA POLÊMICA E ALGUNS LHE ACHAM INTRATÁVEL, AMALUCADO, ARROGANTE, EXCESSIVAMENTE PURISTA (NÃO ACEITA MODIFICAR AS RECEITAS, ETC.) - QUER FALAR SOBRE ISTO?

- Tudo verdade! Posso ser grosso também! Depende muito do caso e do que o cliente quer de mim. Não gosto de abuso e menos ainda de abusados! Graças à Deus tem muita oferta no mercado, quem não gostar do Ninny não põe o pé lá.

6) TEM ADMIRAÇÃO ESPECIAL POR ALGUM CHEF DE COZINHA?

- Sim, chamava-se Gualtiero Marchesi, figura conhecida! Para mim é um monumento da gastronomia mundial, um Leonardo da Vinci, único e inigualável. Gostaria de saber fazer 1% do que faz o mestre, me sentiria satisfeito.



7) QUER MENCIONAR ALGUNS ESTABELECIMENTOS DE BRASÍLIA QUE LHE  AGRADEM ESPECIALMENTE?

      -   Don Giovanni (pizza); Nippon.
  

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

IL PAN-DRINO (Brasília-DF)

SANDUBA

Entra ano, sai ano e eu continuo circulando por aí, matando a fome, tomando 'umas e outras', me divertindo - às vezes mais, às vezes menos é verdade - explorando as cidades, as fórmulas. Como já escrevi várias vezes, interessam-me as fórmulas e os conceitos, os parâmetros da gastronomia. Escrever é a principal motivação, e manter os veículos (blog, etc.) alimentados é essencial. A gastronomia é um conhecimento de que me utilizo. O foco do trabalho são os restaurantes e bares funcionando, seu desempenho. E cada um vai onde quiser, pois "até o mau gosto é um gosto afinal", já diz o ditado;)
Mais que um gosto, a boemia pra mim é um estilo de vida... a noite tem uma atração irresistível sobre mim:) Só ou bem acompanhado como atualmente, a vida nos bares faz parte da minha vida desde sempre e provavelmente para sempre...
Um segmento que tem demonstrado grande crescimento na cidade é o das padarias gourmet. São os pães de fermentação natural, padaria francesa, padaria alemã...Invariavelmente a confeitaria e o serviço de cafeteria são agregados à padaria. VARANDA \o/, LA BOULANGERIE e L'AMOUR DU PAIN são apenas algumas das boas casas que Brasília abriga atualmente.

L'AMOUR DU PAIN

Marcou época na cidade a padaria alemã (na 213 norte) do mestre padeiro Reinhold, que morreu precocemente. Era um lugar adorável, autêntico, parecia que vc estava na Alemanha... fui muito lá; entrevistei Reinhold numa tarde de sábado numa das mesas. Num dado momento o vento soprou e as folhas de papel voaram!;)

Reinhold Dern 

Agora uma padaria no final da asa sul traz pães diretamente da Alemanha, que lá passam por um processo especial de congelamento e acabam de assar já aqui na padaria. É a DAS BROT (215 sul). Servem sandubas com os ótimos embutidos da tradicional BERNA. Tem café e alguns doces tb. Lugar bacaninha, vale conhecer!
Pizza, hambúrguer, crepe, tem demais na cidade. Hambúrguer virou febre, quem chega aqui e circula pelas quadras comerciais deve ter a impressão que metade da população da cidade come hambúrguer toda noite (...). Pastelarias já é um nicho mais pobre. Comer um bom pastel num lugar com algum conforto e charme não é tarefa fácil por aqui. O lugar melhorzinho que me vem à cabeça no momento é o PASTEL MIX, na 107 sul.

PASTEL MIX

Gostaria hj de mencionar uma casa que serve os panini italianos, sandubas em vários tipos de pão. Pães ótimos aliás, da CARDABELLE. Refiro-me ao IL PAN-DRINO (412 norte). À frente, o Chef (com passagem na ótima padaria LA BOUTIQUE, em frente) italiano Alessandro Cossu (o 'Drino'). Paninoteca e bar, é uma casa simples e charmosa, oferecendo tb petiscos (bruschettas, tábuas de frios/queijos). Para acompanhar, cerveja artesanal e drinks, além de vinho, claro... afinal estamos na casa de um italiano!


Alessandro


Acho muito agradável tomar 'umas' e petiscar gnocco (bolinhos de pão fritos) com mortadela lá no PAN-DRINO. Sobre os sandubas, acho os mesmos muito bons, embora levem muita coisa no recheio. Prefiro sandubas mais simples, em que eu sinta bem o gosto daquilo que mais quero comer. Se for então mortadela dispenso o queijo...
Muitas combinações com embutidos diversos, queijos, omelete e...hambúrguer, afinal no comércio é preciso se estar antenado com as tendências;)




Preços razoáveis e serviço que conta com a presença constante da esposa do Chef (e gerente) Rejane no salão. É algo que sempre soma à uma casa! Assim, o IL PAN-DRINO torna-se uma opção interessante para quem quer variar das pizzas e hambúrgueres da capital - ótimos por sinal - sem cair no fast-food. É bom para casais ou pequenos grupos. Casa autêntica e com decoração original, já está incorporada aos 'meus favoritos'!


Foi Luigi Benegiamo, o falecido dono da TRATTORIA 101, quem me falou pela primeira vez do PAN-DRINO. Luigi gostava do sanduba de mortadela, Luigi - e os que o conheceram sabem bem disso - sabia o que era bom...

IL PAN-DRINO
412 norte

Cozinha/Bebidas - **1/2
Serviço - **+
Preços - **+
Ambiente - **1/2
Acolhida - **+

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível











quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CONFRARIA CHICO MINEIRO (Brasília-DF)

NOS DOMÍNIOS DE CHICO

Estive em Salvador novamente e, mais uma vez, retornei ao DON PAPITO, um bar/restaurante que faz valer a viagem até Piatã para se provar um polvo que já é lenda. Realmente notável o polvo com batatas servido por lá, uma casa simples e familiar frequentada em grande parte pelos fãs de lambretas, molusco bastante apreciado pelos soteropolitanos.

Polvo
Por motivos óbvios, Salvador é um bom lugar para se provar frutos do mar, e aproveitei para experimentar o famoso arroz de polvo do tradicional BOTECO DO FRANÇA. Mas esperava mais, tem queijo na receita deles, nada a ver. Mas ruim não é, enfim...O fato é que em Salvador a gente vai invariavelmente a lugares mais simples que os de Brasília, gasta menos e pode comer e beber bem, se for aos lugares certos, pois 'pega-turista' não falta por lá!

Comer e beber bem, num lugar transado, e gastando pouco, é tarefa quase impossível em Brasilia. Parece ser proibido por lei que um lugar simples, com bons 'comes e bebes', seja tb transado por estas bandas (...). Há honrosas exceções, como o já tradicional BAR BRASÍLIA.
A CONFRARIA CHICO MINEIRO, no início da asa norte, se por um lado não tem um ambiente charmoso e com um pouco mais de conforto, por outro lado serve pratos e petiscos de prima a bons preços.



No almoço, há 4 ou 5 opções que vão mudando todo dia, e sempre há um prato com salada + carne (bovina/frango/peixe) + legumes + omelete. Às sextas e sábados, feijoada e mexidão. À noite, além de uns poucos pratos para quem quer jantar, há cervejas e cachaças para escoltar uma grande lista de petiscos. Chico destaca as iscas de linguado empanadas com molho rosê. Realmente muito bom. Fazem meia porção de alguns petiscos.

Chico e Meg, os donos


Almocei várias vezes no CHICO e comi bem em todas elas. Comida bem feita e tempero bom, artes da Meg, Chef, sócia e esposa de Chico, o dono que dá nome à casa. Meg é nissei e a cozinha do CHICO tem uma pegada oriental, revelada em alguns preparos oferecidos. O simpático funcionário aposentado está sempre por lá, bom sinal. Serviço esforçado mas que pode ficar um pouco demorado em dias de maior movimento, o que por lá é quase todo dia;)



Mais recentemente, Chico e Meg adquiriram o ponto da antiga confeitaria DAS HAUS, e servem ali - CHICO MINEIRO CONFEITARIA E CAFÉ - o strudel de maçã que fez a fama daquela casa, além de outros doces. Como são lojas vizinhas, os doces da confeitaria são tb servidos nas mesas do restaurante.



Minas é um estado vizinho e Brasília sofre forte influência da cozinha daquele estado, que tem pontos de contato com a cozinha goiana. Muitos mineiros vieram e vem fazer a vida em Brasília. Quem nunca conheceu alguém de Unaí ou de Paracatu por aqui?! 
Chico um dia tb deixou Minas e veio fazer a vida aqui, e seu restaurante - de cozinha brasileira com pegadas mineira e oriental - é uma boa pedida para quem quer comer bem, e gastando pouco, perto do centro da cidade. 
Muito bom almoçar com os colegas de trabalho no CHICO, ou ir tomar 'umas' à noite ali, de onde se vê o jardim da quadra. Brasília, terra das super-quadras e sonho do mineiro JK. Brasília, onde os mineiros podem provar os sabores de Minas na simpática casa do conterrâneo Chico...

CONFRARIA CHICO MINEIRO

CLN 104

Cozinha - **1/2
Serviço - **
Preços - **1/2
Ambiente - **
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/regular
* - Sofrível







quinta-feira, 9 de agosto de 2018

GALETO DO LEBLON (Rio de Janeiro-RJ)

CARIOQUICES

Estive no Rio recentemente e me diverti como sempre. Apesar de todos os problemas, a capital fluminense esbanja beleza e charme. Há muito tempo que não ia ao histórico BAR LUIZ no centro, foi ótimo ter voltado. É uma viagem no tempo a gente ver uma foto do aniversário de 50 anos do bar em...1937! Nossa, a gente ver um monte de gente que já morreu numa foto que mostra as pessoas às vezes jovens ainda...pensar em seus filhos e netos, onde andarão...será que frequentam o BAR LUIZ? Sabem que seu avô (ou bisavô) está numa foto antiga por lá?!

BAR LUIZ

Outro lugar que vale a pena conhecer em se estando no centro do Rio (uma balbúrdia, prepare-se!) é a tradicionalíssima CONFEITARIA COLOMBO, que tem uma filial no Forte de Copacabana.
Deixando um pouco de lado casas vetustas, vale a pena conhecer a empreitada de Jair Coser - ex-dono do império FOGO DE CHÃO - no Rio, a moderna e linda churrascaria ASSADOR RIO'S, com a vista deslumbrante da baía de Guanabara e do Pão de Açúcar. Embora não seja o foco, não se deve deixar de provar os queijos finos do bufê;)


Jair Coser




ASSADOR

O Rio, ah o Rio...seus graves problemas e seu charme incomparável! Terra de bares emblemáticos e de petiscos que fizeram fama. No PAVÃO AZUL, vá de pataniscas de bacalhau; no ACONCHEGO CARIOCA, vá de bolinhos de feijoada, petisco nascido lá;) E a gente percebe que os bares simples do Rio são muitas vezes charmosos, o que parece ser proibido por lei em Brasília (...)
É interessante notar que o carioca come galeto de um jeito diferente do brasiliense. No Rio, não se vê o sistema de rodízio daqui e que é típico do sul do país. O carioca come um galeto com as guarnições servidas à parte. Invariavelmente, serve-se arroz, farofa e batatas fritas/portuguesas e molho à campanha. 




No coração do Leblon, hj o bairro mais caro do Rio, na região do lendário 'baixo' Leblon, território boêmio frequentado por jovens e artistas - e que eu acho que já teve dias melhores - marca presença há décadas o GALETO DO LEBLON, que serve um ótimo galeto e um pouco de tudo, além do chopinho que embala a boemia...



É sem dúvida uma experiência carioca das mais autênticas traçar um galeto acompanhado de um chopinho, sem dispensar a linguicinha na brasa que geralmente é oferecida de entrada;) O bom serviço e os preços razoáveis fazem do tradicional GALETO DO LEBLON uma ótima escolha. Ambiente simples mas refrigerado, o que faz diferença numa cidade como o Rio.


Fui muito ao GALETO DO LEBLON na época da Faculdade, e naquela época de grana curta era muito chope e pouca comida fora de casa. Lembro de um colega que gostava de pedir salsichão no GALETO, nunca mais o vi. Os anos 80 foram tempos difíceis para o país. E eu era só mais um jovem que vivia por ali, com os sonhos e esperanças próprios da idade, e sem saber ainda que Brasília me aguardava...



GALETO DO LEBLON

R. Dias Ferreira, Leblon
Rio de Janeiro-RJ

Cozinha - **1/2
Serviço - **+
Preços - **+
Ambiente - **+
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível







REMANSO DO PEIXE (Belém-PA)

TUCUPI Se a gente for até Belém, e num dia visitar o mercado 'Ver-o-peso', almoçar uma caldeirada de pescada, olhar aquele mu...