sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

CHEF LUIZ TRIGO (LE BIROSQUE, BRASÍLIA-DF)


      6 PERGUNTAS PARA O CHEF LUIZ TRIGO (LE BIROSQUE, BRASÍLIA)




1. Como surgiu o interesse pela gastronomia, qual sua formação e experiência?

-De casa, acompanhando minha mãe desde cedo na cozinha (ela não é cozinheira, mas comida de mãe e vó não tem igual não é mesmo?), acompanhá-la para fazer o almoço de domingo era algo que me dava muita satisfação.
Sou formado em turismo com pós graduação em docência do ensino superior, fiz um curso chamado CCI no senac SP, comecei no hotel escola do Senac de Campos do Jordão e transferi logo para SP, em SP trabalhei no grupo Fasano, Due Cuochi Cucina e chefiei o restaurante Solarium do Hospital Sírio Libanês, além de estágio no D.O.M. Morei 3 anos na Inglaterra trabalhando em alguns restaurantes em Londres e no Interior, como no Chez Gerrard Groupe, onde tínhamos três conceitos de restaurantes: O Chez Gerrard, francês clássico, Italiano osteria o Bertorelli´s e o de comida inglesa moderna e frutos do mar, o Livebait Café fish.
Em Brasília ministrei aulas no curso de gastronomia do UNIEURO, UNICEUB e UDF, e na pós-graduação do UNIEURO, a primeira pós do centro-oeste. Abri o Ares do Brasil como Chef Consultor, o Gero Iguatemi e o La Tambouille.


2. Fale-nos sobre o Grupo ROCKS?!

-Encabeçado pelo Chef Rodrigo Sanchez, a Rocks é um foodservice voltado para vários nichos de negócios, como bares, buffets, restaurantes e principalmente hotelaria e hospitalidade em hospitais e empresas de letividade. A função da Rocks é propor solução de problemas nas operações através de produtos e serviços. O lema é “A comida artesanal em escala industrial”.

3. Algum episódio em especial que tenha marcado a sua trajetória como Chef de cozinha? (pergunta da seguidora Ana Paula Antunes, servidora pública em Brasília)

-A vida de cozinheiro é muito intensa, me recordo muito de trabalhos como no Fasano, no centro de produção de pães e sobremesas para todas as casas do grupo em SP, o due cuochi era uma loucura, intenso, o chef Paulo Barros um dos melhores com quem trabalhei, exigia muito e o due cuochi era realmente impecável. E na rocks, agora com um olhar diferenciado para o alimento. Lembro muito da adrenalina antes do serviço no Due Cuochi, era casa lotada todos os dias.

4. Qual a proposta do Le Birosque?

-O que me motivou muito com o Le Birosque é mostrar que boa comida pode e deve ser servida em qq. lugar, inclusive em uma feira, comida boa deve ser acessível para todos e deve caber em todos os bolsos.

5. Mencione 1 entrada, 1 petisco e um prato muito recomendados?

-Os que mais vendem: entradas - Salada Caprese na lata, petisco Arancini e croquete de lombinho defumado; prato - a Porchetta com polenta;

-Os que mais gosto: entradas - Pedra de terrines e petisco 3 porquinhos; Pratos -
 Bochecha de porco e o arroz de suã.

6. Mencione um bar e um restaurante que lhe agradem em Brasília?

-Bares: Amigão e Paulicéia.

-Restaurantes: New Koto e Dom Francisco.

.
OB
RIGADO

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

LE BIROSQUE (Brasília-DF)

PORK IS LIFE

Para Ana Paula Antunes, fã do LE BIROSQUE.

Pode ser que ninguém tenha um maior interesse em saber isso, mas eu vou responder: A pergunta que mais me fazem é: "Qual o melhor restaurante de Brasília?!" Invariavelmente respondo que é uma pergunta sem resposta, e enumero uma pequena lista de ótimos restaurantes da cidade. Se interessar ao interlocutor, posso mencionar alguns bares tb, até pq. alguns bares são tb restaurantes. Uma lista maior pode incluir tb alguns bons restaurantes/bares da cidade.

E pq. não se consegue mencionar o "melhor restaurante da cidade" de uma forma que não inclua uma tremenda dose de subjetividade e desconsidere a circunstância do restaurante, ou do bar? Ora, pq. a todo restaurante vc vai numa determinada circunstância. Embora variem menos, existem tb circunstâncias diversas para se ir a um bar. A única coisa que não muda é que a gente vai a um restaurante principalmente para comer, e a um bar principalmente para beber. No mais, há diversos momentos para serem vividos na mesa de um restaurante ou de um bar.


Então, se eu fizer uma listinha (de ótimos) assim:

-TERRUÁ;

-FOGO DE CHÃO;

-VITTORIA D'ITALIA;

-LONDON STREET PUB;

-ROTT BAR.

Rott Bar


Ou uma lista um pouco maior (tb de ótimos), e que inclua:

-NINNY;

-TETA CHEESE BAR;

-LE PARISIEN BISTROT;

-PUBLICAN BAR;

-AUTHORAL.

Ninguém, razoavelmente, tem condições de argumentar que se vai a todos estes lugares, que incluem churrascaria rodízio, gastrobar, bar de cervejas, restaurante contemporâneo, italiano, etc., nas mesmas circunstâncias (e que incluem o horário, a companhia, os objetivos da reunião em torno da mesa, e por aí vai). Então como é que eu vou dizer que prefiro um restaurante italiano a uma churrascaria rodízio?! Convenhamos que não são comuns reuniões de negócios num restaurante italiano à noite, nem encontros românticos numa churrascaria no horário de almoço (...). 

Zur Alten Mühle, SP

Feitas estas considerações, já que como todos sabem me interessam as fórmulas, os conceitos, os parâmetros da gastronomia, posso dizer que incluiria, fácil, o LE BIROSQUE entre os ótimos restaurantes da cidade. Ótimo, autêntico, e cheio de personalidade local, é sem dúvida um dos lugares mais legais da atual cena gastronômica local. 


Pra quem não sabe (pouca gente, acho), o LE BIROSQUE fica na QUITUART, a feira queridinha dos moradores do Lago norte. É comandado pelo Chef competente, gente boa e cheio de amigos Luiz Trigo, e especializado em carne de porco. Pronto, já teria uma especialidade maravilhosa, mas Trigo ainda serve bacalhau e uma lasanha de prima para tornar seu restaurante do tipo em que, num mundo ideal, almoçaríamos todo dia!;)

Chef Trigo

Porchetta

O prato principal é uma porchetta servida com polenta cremosa, sensacional. Mas há arroz de suã, linguiças em ragu, bochecha de porco, muita coisa a explorar, entre entradas, petiscos, sandubas e principais. Pode-se ir lá à noite e curtir como bar, mas o tipo de comida e o lugar a meu ver tornam o BIROSQUE melhor como restaurante para almoço nos fds (sexta-feira inclusive).

Lasanha
O fato do BIROSQUE ficar numa feira torna seus preços moderados considerando o nível da comida servida, e o serviço dá conta do recado. O café vem de outro restaurante, bem informal. Enfim, feira e mercado funcionam de uma forma peculiar. O carro vc estaciona onde consegue, e assim é...



Enquanto houver filas na badalada CASA DO PORCO paulistana, o Chef Rueda não me verá por lá. Enquanto isso, frequentarei - e com muita satisfação! - o nosso BIROSQUE. Como gosto de dizer, temos que lutar contra o complexo do morador de cidade pequena, que julga sempre o que está nos grandes centros como superior/melhor. O VITTORIA D'ITALIA não é inferior à CANTINA DO PIERO paulistana. É quase certo que o BIROSQUE tb não seja inferior à CASA DO PORCO.

Acho que nunca mencionei o Chef Trigo nesses anos todos em que escrevo sobre restaurantes. Confesso ter uma certa preguiça de ir até o Lago norte, e acaba que fui poucas vezes ao restaurante dele, que torço para que um dia se instale num imóvel confortável no plano. Pra mim, confesso que na asa sul seria ótimo...Pronto Trigo, tá mencionado, parabéns, um abraço e feliz ano-novo!

LE BIROSQUE
QUITUART, LAGO NORTE

Cozinha - **1/2
Serviço - **+
Preços - **1/2
Ambiente - **
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/regular
* - Sofrível



sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

TRATTORIA 101 (Brasília-DF)

4/6/2016 

OS BONS E OS EXTRAORDINÁRIOS

Nesta semana estive na TRATTORIA 101, e mais uma vez tive o prazer de rever o dono de lá, o gentleman Luigi Benegiamo*. Ele avisa que agora serve ótimas burratas de entrada - acompanhadas de presunto de parma - e geralmente disponíveis a partir das quintas-feiras. Pronto, estão todos avisados.

Luigi

Diz o restaurateur que seu restaurante resiste bravamente à crise, e que nenhum restaurante pode cometer 3 pecados capitais na luta pela sobrevivência: Diminuir a qualidade dos pratos, diminuir a quantidade das porções e reajustar os preços de forma abusiva. Já conversei muito sobre restaurantes com Luigi, e aprendi muito com ele, um italiano apaixonado pela cozinha do seu país e que veio viver em Brasília, onde fez muitos amigos e dedica-se tb à profissão de Engenheiro de carros de competição. 



Viajei por aí recentemente, voltei a Vitória, a Vila Velha e a Guarapari depois de muitos anos, e reflito ainda sobre os bares e restaurantes que conheci, e os que já conhecia tb, como p.e. o famoso PIRÃO de Vitória...

Tive a ventura na vida de conhecer alguns estabelecimentos extraordinários, não posso me queixar:)

Voltei em Sampa ao ZUR ALTEN MÜHLE, um dos bares mais autênticos do país, e que é extraordinário pelo ambiente germânico e pelo bom nível dos comes e bebes, acho que em nenhum lugar do Brasil vc toma um chope com bolinhos de carne num ambiente daqueles, fenomenal!

O ASTOR do Rio, onde estive mais uma vez, é tb uma Casa extraordinária, pelos comes e bebes, pelo charmoso ambiente e pela localização excepcional. Um bar em frente à praia de Ipanema nem precisa ser tão bom assim, convenhamos;)

Mas Casas extraordinárias são poucas, e na restauração - e na própria vida - procuro me contentar com o bom, pois já diz o ditado que "quem só quer o ótimo fica sem o bom"!

Embora não ache extraordinária a Casa de Luigi Benegiamo, considero a TRATTORIA 101 um bom restaurante, e para comer uma boa massa sem gastar muito é o meu lugar preferido na cidade, até pq. é perto de casa. Nossa, já fui muito lá na Casa famosa pelo "filé à parmigiana com fettuccine alfredo", um prato que caiu no gosto da clientela sem ser exatamente italiano, coisas da restauração;) Até onde eu sei a TRATTORIA 101 é o único restaurante da cidade que faz o molho romano de massas "cacio & pepe" (queijo + pimenta), que combina perfeitamente com as noites mais frias que vem por aí... 



O restaurante tem notável regularidade e bom serviço, com carta de vinhos à altura dos pratos servidos: Comida boa de trattoria, sem maior sofisticação. Preços razoáveis para o conjunto da obra e um ambiente fiel às origens do dono e que me agrada bastante. Quem quiser mais privacidade deve preferir o salão interno. Luigi, complimenti, spero di tornare al vostro ristorante ancora e ancora! 

*Falecido em 2019.

TRATTORIA 101
CLSW 101, Sudoeste


Cozinha - **1/2

Serviço - **1/2

Preços - **+

Ambiente - **+

Acolhida - **+



*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível





sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

RENATA MANDELLI

5 PERGUNTAS PARA RENATA MANDELLI


 1) Então vc era uma advogada que num certo momento decidiu se dedicar exclusivamente a elaborar produtos gourmet?


Sim, sou advogada, com OAB ativa, trabalhava como assessora jurídica na Justiça Federal. Criar, sobretudo no âmbito da gastronomia, sempre foi a minha paixão, o meu verdadeiro dom. Desde sempre sou encantada pelas formas, cores, perfumes e texturas dos alimentos. É um mundo mágico. Acompanhar o crescimento e desenvolvimento de vegetais e ervas é uma coisa extraordinária! É o milagre da vida se revelando o tempo todo.
Sempre dei preferência a produzir os presentes para amigos, fazendo geléias, biscoitos, ‘chutneys’, conservas, licores, azeites, sais e açúcares saborizados com ervas, flores, sementes, especiarias... as pessoas vibravam, a receptividade era incrível, e muitas me pediam pra fazer para que tb pudessem presentear.
A decisão de tentar uma experiência comercial nasceu de uma conversa com minha amiga e cunhada que trabalha no Banco Mundial. Me apresentou uma amiga que gerencia uma grande feira que acontece na cidade aos finais de semana. E lá fui eu, apresentar meu produto.
Eu não tinha ideia de que preço cobrar. Aí ela me ajudou a levantar todo o custo e assim chegarmos ao valor do produto. No primeiro final de semana em que me lancei nessa aventura, vendi o equivalente a meu salário no tribunal. Me pareceu incrível fazer dinheiro com o meu ‘hobby’, a minha paixão!


2) Em que ou em quem vc se inspira para fazer suas geléias e misturas dos molhos? Vc usa somente produtos orgânicos? (pergunta da fã da página Daiane Zils, Acupunturista em Brasília)

Minhas avós, uma paulista, outra gaúcha, sempre foram maestras na arte de fazer geleias e compotas. Sempre foram a minha alegria nas mesas do café da manhã! Doces pedaços de fruta me deixam feliz desde a tenra infância
A geleia de laranja sempre foi uma das minhas preferidas. Comi três inesquecíveis: No hotel Hilton, em Paris; no hotel Alvear, em Buenos Aires; e numa pousada em Búzios. Essas me inspiraram na criação das minhas geleias cítricas.
Sobre utilizar produtos orgânicos, sim, dou absoluta preferência a eles. Meus limões, alguns tipos de laranja, graviola, acerola, manga e tangerina são cultivados no meu jardim, assim como minhas ervas, sem uso de químicos. E procuro sempre saber a origem dos ingredientes que compro. O açúcar que uso é orgânico e, hoje, minha geleia mais doce leva apenas 10% dele na composição

3) Sugira harmonizações com seus 3 produtos mais vendidos!

As cebolas carameladas em Malbec e especiarias ficam fantásticas com queijos de pasta cremosa, como brie e camembert. Tb com queijo de ovelha e caprino, e sobre medalhões de mignon. Pesto genovês : com massas, ou como um manto verde sobre queijos frescos para servir com torradinhas; sobre bruschettas. Geleias de laranja (laranja bahia com especiarias /laranja amarga e Cointreau/laranja, whisky e mel): com magret de pato; com aves de Natal; sobre bolos e sorvetes de chocolate amargo, e até com foie gras.



4) Quais são seus pontos de venda em Brasília?

Hoje vc encontra os produtos ‘Renata Mandelli - Art & Food’ na ‘Varanda Pães Artesanais’, na 215 norte. Pães fantásticos de fermentação natural merecem boas geléias artesanais e o melhor pesto genovês da cidade.

5) Mencione um restaurante e um bar que lhe agradam em Brasília!

Eu adoro o ‘Nippon’, é o restaurante que frequento desde a época em que cursava direito na UnB e continua sendo o meu preferido.
Bar? Não sou uma grande frequentadora, prefiro puxar os amigos pra minha casa, rs...
Mas gosto do ‘Bier Fass’ do Pontão por ter 1 carta farta e variada de petiscos e bebidas e, claro, a vista privilegiada. Pra ficar perfeito, eu substituiria a música ao vivo por um ‘world lounge’ daqueles dos bares europeus.


OBRIGADO.
Bier Fass

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

BUTEKO 101 (Brasília-DF)

SUDOCA

Este ano miserável afinal começa a terminar! \o/ E, devemos reconhecer, a vida melhorou um bocado aqui na capital federal. Temos shoppings, restaurantes e bares funcionando, e a recente restrição de horário para estes últimos não significou um maior transtorno para os clientes nem uma maior perda de receita para os empresários. Ora, convenhamos, um restaurante já faturou o que tinha pra faturar às 23 hs.! No caso dos bares é um pouco pior, mas podia ser pior ainda...O que não adianta nada é desrespeitar o horário fixado pelas autoridades.
Apesar dos pesares, neste ano difícil conheci lugares novos e me encantei mesmo com alguns.
No Rio, o tradicional LORD JIM PUB é muito legal, recomendo. Não se deve perder os petiscos britânicos, difíceis de se achar por aí.

LORD JIM PUB

Aqui em Brasília o ROTT BAR e o TERRUÁ PEQUENA COZINHA AUTORAL são ótimas opções, mas para circunstâncias bem diversas eu diria, pois não se parecem nem um pouco!;)

TERRUÁ

Um bar que não chega a me encantar mas que tenho frequentado bastante é o BUTEKO 101 no sudoeste. Sem dúvida é o bar do sudoca que mais me agrada! Em primeiro lugar é um bar/restaurante guerreiro, explico, abre todo dia para o almoço e de noite. É um tipo de lugar com o qual vc sempre pode contar!


O BUTEKO 101, pra quem não sabe, é dos mesmos donos da ótima GALETERIA TREVISO na asa norte. O bar teve a boa ideia de agregar à oferta de cervejas comuns alguns exemplares de artesanais/importadas, e assim vc pode numa noite tomar além do chope basicão uma ale belga, uma alemã de trigo e uma IPA ou uma porter da 'Colorado'. Há tb destilados e coquetéis, com boa oferta de cachaças. A boa carta de petiscos completa o conjunto. E o bar tem a simpatia de oferecer petiscos individuais, além dos pratos executivos. Provei muita coisa, e nada decepciona, mas destacam-se a meu ver os pastéis de camarão e as iscas de tilápia.




No almoço, vale provar o bife acebolado e a feijoada dos sábados. A brigada de serviço dá conta do recado com competência, e olha que a casa tem movimento. Bons preços. Jogos e shows nas TV's podem deixar o bar um pouco barulhento por vezes, principalmente se houverem tb mesas com grupos grandes no mesmo momento. Aí depende de cada um avaliar o tipo de ambiente que lhe convém numa dada ocasião...





BUTEKO 101, talvez a melhor opção de bar no sudoca. 🍻


BUTEKO 101
CLSW 101, Setor Sudoeste

Cozinha/Bebidas - **+
Serviço - **1/2
Preços - **+
Ambiente - **+ 
Acolhida - não se aplica

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível





quarta-feira, 21 de outubro de 2020

CHEF GABRIELA JABOUR (TERRUÁ PEQUENA COZINHA AUTORAL - Brasília-DF)

5 PERGUNTAS PARA CHEF GABRIELA JABOUR, DO RESTAURANTE TERRUÁ, BRASÍLIA

1- Então, parece evidente que o seu interesse pela cozinha vem das visitas a confeitaria da família (‘Sweet Cake’) qdo. menina ?!

Meu interesse pela cozinha vem de uma série de lembranças de quando era pequena. Lembro-me que antes de existir a ‘Sweet Cake’, eu adorava ajudar a minha avó Regina a fazer casadinhos. Ela colocava a goiabada em um dos biscoitos e me entregava para eu colocar a outra banda do biscoito e passar no açúcar. Que lembrança boa, diga-se de passagem.

Outra lembrança que não sai da minha memória, são os bolos para o final de semana, o cheiro da salsinha colhida da horta sendo pitada pela Maria (funcionária da minha avó), a banana com biscoito amassado que minha avó Tê fazia e eu achava o máximo.

Crescendo mais um pouco veio a ‘Sweet Cake’, e de lá a minha primeira lembrança é a tartelete de morango, que para mim era o doce mais bonito do mundo.

Enfim, comida sempre fez parte da minha vida, seja em bons momentos, ou para esquecer alguma coisa, a gente sempre acabava “com a barriga no fogão” e isso me fazia (e faz!!!) um bem danado!!! Tirando os muitos brindes e danças que eu e meu pai fazemos durante o preparo de cada prato e das aulas de cuidado e capricho da minha mãe ao observá-la na cozinha.


2- Qual a proposta do Terruá?

O Terruá nasceu da vontade de ter algum lugar para ir e não ver a hora passar, poder tomar um vinho e comer uma boa comida, mas comida de verdade, nada de muito “fru fru” (kkkkkk!!!). Nossa ideia é que o cliente fique à vontade e sinta-se em casa, por isso a nossa abordagem é bem cativante. Gosto de tratar o cliente com respeito, claro, mas também gosto que ele sinta todo o nosso amor, carinho e simplicidade que colocamos em cada detalhe. 

3- Indique 2 entradas, 1 prato e 1 sobremesa a quem vai ao restaurante pela primeira vez ?!

Duas entradas queridinhas que eu acho que nunca poderão sair do cardápio, é o queijo brie na massa folhada com caramelo salgado e castanhas e a croqueta de carne de panela. O prato principal que é campeão de elogios, desde a batata frita ao ponto da carne, é o entrecôte a moda Balthazar e para fechar o menu, meu maior xodó, o Txiw Terruá. 



4- Mencione um restaurante e um bar que lhe agradam aqui em Brasília ?! Um doce sensacional na cidade é servido aonde?

Não sou de comer muito fora, todo final de semana reunimos a família na casa dos meus pais e por lá cozinhamos sem hora para acabar, o almoço sai por volta das 16 horas e até lá boas risadas, bons vinhos e muito amor está envolvido. Mas se tem um lugar que eu adoro ir, é o ‘Dom Francisco’ da Asbac, a comida de lá não tem igual, e por favor, uma pausa para “A” farofa, S-E-N-H-O-R o que é aquela farofa (kkkk!!!), e um outro lugar que eu gosto de ir para comer o melhor polpetone do mundo, é na ‘Trattoria da Rosario’, que delícia!!!! 


Quanto à sobremesa, esse lugar para mim já existe há 28 anos no meu coração, é a ‘Sweet Cake’ e, sério, é bem difícil escolher apenas um doce, mas existe um que posso estar na dieta que for, mas por favor, não coloque ele na minha frente, é a mousse de leite ninho com Ovomaltine, só de falar dá água na boca!!!! 


Sweet Cake

5- Qual será a expectativa do novo cliente e como se reinventar com o novo normal? (pergunta do Chef Tiago Santos, 'Le Jardin', Brasília)

Quem vier a primeira vez ao Terruá tem que vir para ficar rsrs pois aqui criamos uma atmosfera onde a gente quer que a pessoa se sinta bem e não veja a hora passar, tome um bom vinho, um drink, escolha um prato para compartilhar e “se entregue” ao momento, pois é assim que criamos os bons momentos em nossa memoria e é assim que queremos ser lembrados.

Nossa comida é feita com amor, em uma cozinha bem pequena, com todo carinho e zelo que podemos colocar.

Em relação ao novo normal, graças a Deus o nosso ponto é muito favorável a ele, pois a nossa pracinha nos permite colocar muitas mesas, com o devido espaçamento, e assim geramos confiança nos nossos clientes, além disso a higiene do material, o novo adereço do uniforme que é a máscara e face shield, na minha opinião como nutricionista, deveria já se tornar item obrigatório. Enfim, conseguimos nos adaptar bem a esse novo normal.


OBRIGADO.


sexta-feira, 25 de setembro de 2020

TERRUÁ PEQUENA COZINHA AUTORAL (Brasília-DF)

QUEM COZINHA AFINAL?!

Caramba, morreu o grande Chef francês Pierre Troisgros, um dos monstros sagrados da nouvelle cuisine francesa! Não fazia ideia que já tinha passado dos 90. Teve vida longa e boa, pelo menos até onde eu sei. É algo que gostaria de ter feito na vida: Me hospedar no hotel da família em Roanne e, claro, jantar um dia no lendário restaurante que funciona dentro do hotel. Mas não comeria o emblemático 'salmão com molho de azedinha', e por uma razão muito simples: Não sou fã de salmão!;) Tá em tempo mas, por motivos óbvios, não tenho previsão de ida à europa... 

Chef Pierre Troisgros

Aqui no Brasil pode-se ter uma ideia do nível da cozinha do grande cozinheiro francês ao se ir a um dos restaurantes que seu filho Claude mantém no Rio de Janeiro. 

Olympe (Chef Claude Troisgros)

O Chef Claude Troisgros cozinha horrores, ninguém duvida, mas...bom, tornou-se um Chef celebridade, com programa de TV, dá entrevista toda hora, viaja, etc. Montou no Rio uma rede de restaurantes, tem restaurante gastronômico, brasserie, boucherie, bistrô. Tudo bem, mas pra vc comer uma comida preparada por ele acho que só se der muita sorte ou se ele for seu amigo (...). Vcs me conhecem, sabem que eu não sou de perder a piada...;)

Salmão com azedinha

A verdade é que muitos Chefs, após um certo tempo de carreira, seja por uma diversificação de atividades, seja por cansaço da rotina das panelas, seja mesmo por pura e simples vaidade ou até estrelismo, seja pela combinação de todas essas causas, afastam-se da cozinha e começam a delegar. Nem monstros sagrados escapam disso. Um exemplo? O maior de todos: O Chef  francês Paul Bocuse, ora. Nos últimos anos de vida - uns 20 pelo menos (...);) - era muito mais administrador de um grupo de restaurantes e escolas que cozinheiro! Cozinhava qdo. o cerimonial de um Presidente estrangeiro mandava avisar que o mandatário iria ao célebre restaurante nos arredores de Lyon, mas era quase impossível que estivesse cozinhando qdo. vc, provavelmente um (a) brasiliense de classe média que está me lendo, foi conhecer o restaurante nas suas férias, após fazer muita economia...sacou?! 👊

Chef Paul Bocuse

Chega dos franceses. E dos mortos.

Eu voltei a Piri, depois de longa e tenebrosa quarentena. Acho engraçado chamarem de quarentena uma situação que já perdura há 6 meses... vcs já pensaram nisso?! Novidade interessante na cidade é o TITA CAFÉ, no mesmo local onde funciona à noite o pub THE BRIAN BORU. Peça um crepe e...surpreenda-se!


Aqui em Brasília, vc pode não ter uma experiência memorável e glamourosa como a de jantar no estrelado restaurante de Roanne da família Troisgros, ou mesmo no OLYMPE carioca do Chef Claude, mas vc pode jantar muito bem, obrigado, no AUTHORAL ou no novo TERRUÁ PEQUENA COZINHA AUTORAL, e saberá quem cozinhou para vc: Os Chefs desses restaurantes!

Família Jabour

Tempos atrás, num memorável almoço na Embaixada da Itália, ao qual eu fui a convite do Chef Francesco Bravin (VITTORIA D'ITALIA), o Rei do carbonara brasiliense, conheci duas lindas meninas: Gabriela e Luiza, as herdeiras do tradicional bufê SWEET CAKE. Eu desconfio logo de herdeiro (a) de qq. coisa, numa boa, pois a gente nunca sabe o gosto e o jeito que o (a) herdeiro (a) tem pela/para (a) atividade dos pais!

Mais recentemente, soube que Gabriela abrira com o marido um restaurante quase ao lado da Confeitaria da família, na QI 21 do Lago sul: O TERRUÁ.

Chef Gabriela e Rodrigo

Antes de mais nada, eu tiro o chapéu pra quem investe num restaurante na QI 21, um ponto notoriamente difícil, em plena pandemia. 

Passando ao restaurante, vejo pontos de contato com o AUTHORAL. Mistura de restaurante e gastrobar, com pratos para compartilhar. Eu diria até que o TERRUÁ está mais pra gastrobar que pra restaurante. No TERRUÁ, há mesa compartilhável inclusive. Ambos são bonitos e modernos, com presença constante dos donos, bom sinal.



O TERRUÁ é uma das melhores novidades de Brasília. Comi muito bem, fui bem servido e paguei um preço justo nas duas vezes em que lá estive. 



Eu adorei a ideia do entrecôte com fritas e muita pimenta, uma ode à França. A massa com camarões num molho de tomates adocicado é tb original, bem pensada. Risotto de camarão ninguém aguenta mais, convenhamos...;) No mais, croquetes e bolinhos deliciosos com molhinhos idem, queijos, frios, mini hambúrgueres. Vinhos (bela carta), drinks e algumas cervejas artesanais harmonizam com os comes. As sobremesas são o ponto alto do restaurante, sensacionais, não as perca, e caso perca não me conte por favor, vou ficar chateado com vc...



Herdeira de uma confeitaria e com curso da especialidade na França, a jovem Chef Gabriela mostra que, além de herdeira, tem DNA próprio. Quando, 20 anos atrás, eu fui à SWEET CAKE da asa sul experimentar um salgado de camarão, não imaginava que uma então menininha filha dos donos da confeitaria iria um dia me deixar impressionado por causa de um doce. Vá ao TERRUÁ, lá vc sabe quem vai cozinhar pra vc...

À bientôt.

TERRUÁ PEQUENA COZINHA AUTORAL
QI 21, LAGO SUL

Cozinha - **1/2 (sobremesas ***)
Serviço - **1/2
Preços - **+
Ambiente - **1/2
Acolhida - **+

*** - Excelente
** - Bom/Regular
* - Sofrível








terça-feira, 18 de agosto de 2020

LORD JIM PUB (Rio de Janeiro-RJ)

GOD SAVE THE QUEEN

A verdade é que ninguém contava com esta! De repente, os restaurantes e os bares estão fechados. Nunca se ouviu falar tanto em delivery e take out. Os supermercados e os aplicativos de entrega de comida se encheram de dinheiro. A vida ficou chatíssima para a maioria das pessoas. E eu aprendi uma série de coisas que nunca iria saber se não fosse a maldita pandemia...

A maior surpresa que tive foi que os bares me fazem mais falta que os restaurantes. A explicação é simples: Os bares são essencialmente lugares de convívio, de circulação de pessoas, e é assim impossível... recriá-los em casa! Putz, que coisa mais frustrante ficar bebendo sozinho em casa... Já a experiência de se comer bem - do restaurante - é mais fácil de se recriar em casa. Basta ter alguma grana, cozinha equipada e uma boa companhia.

Herr Pfeffer, Rio

Aprendi tb que a comida entregue em casa só serve se, para quem pede, for mais importante comer em casa do que comer bem. Realmente, a qualidade/apresentação da comida entregue em casa é a negação da celebração do ato de comer bem que a gastronomia prega!

Aprendi tb que algumas comidas viajam melhor que outras, e que o hambúrguer é o lanche que viaja melhor. Se a gente pedir um hambúrguer de uma hamburgueria próxima de casa a experiência será quase idêntica à da hamburgueria, vale conferir.

Santo Burger, Brasília

Aprendi tb que algumas coisas, facilmente encontráveis em mercados e boas padarias, funcionam muito bem - entenda-se: Fáceis de preparar e pouca louça pra lavar;) - pra quem não tem cozinha em casa como eu: Chucrute em conserva, sardinhas, atum e salsichas em lata, legumes em conserva, etc. O sanduba - como refeição complementar - tb pode ficar ótimo para quem puder investir em bons produtos. Nos bons supermercados, empórios e padarias há grande variedade de pães artesanais, queijos, embutidos e pastas/patês os mais diversos para compor um sanduba de prima.

Padaria e empório Belini, Brasília

Aí aos poucos as coisas foram retornando à normalidade, com variações de um lugar pra outro, claro. Após 5 meses eu finalmente viajei, e peguei pesado: Fui ao Rio de Janeiro;) Como tava afim de gastar, fiquei num hotel de frente pro mar, pas mal \o/



Aí um dia eu saí caminhando pela rua que faz esquina com o hotel e dei de cara com um pub antigo ali na região, e que funcionava antigamente num outro número da mesma rua: O LORD JIM PUB. Lembro de ter ido lá uma ou duas vezes nos anos 80, e mais recentemente tomei um chope lá, já no novo endereço. Curiosamente, o pub inglês (fundado por um inglês nos já distantes anos 70) fica numa rua que tem o nome de um aventureiro americano: Paul Redfern.


Eu adoro um pub. Já fui a muitos, no Brasil, no Reino Unido, na Irlanda e eventualmente em outros países (ano passado fui a um em Budapeste, Hungria). Então, se eu dissesse que o LORD JIM é o mais bonito ou onde bebi/comi melhor dentre os pubs onde estive estaria mentindo. Mas não me lembro de ter sido tão bem recebido e tratado pela equipe em outros pubs como fui lá!


E, falando em acolhida na casa e cordialidade do serviço, é interessante notar como ser bem recebido e bem tratado influi fortemente na impressão que nos causa um estabelecimento, e não só gastronômico aliás! Eu diria até que uma ótima acolhida e um serviço cordial e atencioso nos faz relevar preços abusivos e eventuais falhas na execução dos pratos e no preparo das bebidas. A verdade é que uma acolhida fria e um serviço incompetente e/ou grosseiro estragam a experiência em casas que poderiam brilhar caso não nos recebessem friamente e não nos tratassem mal...



Eu adorei retornar ao Rio e ao LORD JIM, e não vejo a hora de voltar. Recomendo no pub uma (cerveja irlandesa) Guinness e, para petiscar, uma torta de frango com cogumelos, molho branco e purê de batatas por cima (gratinada) - deliciosa.

Alô Paulo amigo e Alberto, apareço por aí em breve, e "God save the Queen"! 🍻


LORD JIM PUB

R. Paul Redfern, Ipanema

Rio de Janeiro-RJ


Cozinha/Bebidas - **1/2 (preliminar)

Serviço - **1/2

Preços - **+

Ambiente - **+

Acolhida - ***


*** - Excelente

** - Bom/Regular

* - Sofrível


CHEF LUIZ TRIGO (LE BIROSQUE, BRASÍLIA-DF)

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