quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

CHEF BIRGIT FENZL (RESTAURANTE SERVUS, Brasília-DF)

ENTREVISTA (2009) COM CHEF BIRGIT FENZL, RESTAURANTE SERVUS, BRASÍLIA-DF:



1-Bom, Birgit, vc já é brasileira, mas fale um pouco das suas origens e de como veio parar em Brasília...

A família da minha mãe é da região do Mar Báltico (Rússia, Estônia, Letônia e Lituânia) e a do meu pai é da região do antigo Império austro-húngaro (Áustria, Rep. Tcheca, Hungria e adjacências). Essa multiplicidade se reflete na culinária de nosso restaurante. Meus pais se conheceram na Alemanha, viveram juntos alguns anos e, quando houve a oportunidade de um emprego para o meu pai no Brasil, ele era engenheiro, desembarcou em Santos e alguns meses depois mandou uma passagem de avião para minha mãe. Logo depois se casaram em São Paulo. Isso lá pelos idos de 1958. Eu e minha irmã nascemos alguns anos depois, em São Paulo capital. E nós nos mudamos para o Rio de Janeiro quando ainda éramos pequenas. Vivi no Rio de Janeiro durante 25 anos. Meus filhos nasceram lá.
Depois de alguns anos em Santos, viemos para Brasília.


2-E a ideia do restaurante, como surgiu?

Meus pais sempre comentavam em abrir um pequeno restaurante, quando
tivessem se aposentado, para servir basicamente Gulasch, o prato nacional austríaco e húngaro com Knödel (bolinhos cozidos à base de batata ou pão).


3-Qual a proposta do 'Servus'?

Ser um local onde se pode desfrutar da gastronomia tradicional austro-alemã e do leste europeu, em um ambiente acolhedor, enfim relaxar. Meus pais sempre deram maravilhosas e alegres recepções. Minha mãe não se furtava de preparar tudo ela mesma e todos os convidados sempre saíam muito satisfeitos. Meu pai era um verdadeiro anfitrião.

Da música no toca-discos aos guardanapos, tudo era perfeito. Eles sabiam receber e reunir as pessoas em torno de um bom papo, boa comida e boa música.

Esse clima de cordialidade é o que quero transmitir. E acho que estamos no caminho certo. Para completar, falta um espaço para dançar, a grande paixão de nossa família, e que deverá estar concluído este ano ainda.


4-Há uma diferença marcante entre as cozinhas alemã e austríaca? E as do Leste europeu?

Acredito que a gastronomia do antigo Império austro-húngaro seja mais diversificada do que a germânica. O que não surpreende, dada a quantidade de povos e culturas diferentes que viviam sob uma batuta só.


Viena, Áustria

5-Um austríaco come o que no café-da-manhã? E se leva a família para almoçar no domingo vão comer salsichas ou a coisa não é tão simples?...

O café-da-manhã é composto de café, leite, geléia, pães variados, queijo e frios.
O almoço no domingo é um mergulho na variada culinária do mundo.


6-Recomenda algum prato em especial a quem nunca foi ao restaurante?

Difícil de especificar, pois fizemos questão de reunir em um buffet um pouquinho da culinária alemã e austríaca. Todos podem voltar quantas vezes quiserem ao buffet e fazerem as suas combinações.

7-E os doces? Ouvi dizer que se orgulha da torta de maçã...

Ah o ´Apfelstrudel´. Não é bem uma torta de maçã e sim uma massa finíssima, esticada pacientemente sobre um tecido estendido sobre a mesa, recheado de maçã ralada, açúcar e limão. Depois é enrolada como se fosse um rocambole e assada.

8-Os vinhos brancos alemães e as cervejas são famosas; e na Áustria, o que se bebe?

A produção nacional de cerveja é grande e o consumo idem.
Cada região tem sua cervejaria. Muitas vezes mais de uma. O vinho austríaco é muito conhecido, principalmente o "Grüner Veltliner" (branco) e o "Blauer Zweigelt" (tinto). Somente na cidade de Viena existem nove vinhedos registrados. O menor deles tem por volta de um hectare.
Um espumante fantástico é da marca ´Schlumberger´. A grande variedade de destilados merece também ser degustada.


9-O que recomenda (bebida) para acompanhar seu famoso 'eisbein'(joelho de porco)? De onde vem sua matéria prima?

Uma cerveja de trigo gelada.
O Eisbein e embutidos vêm de São Paulo. Todos os outros ingredientes são daqui mesmo.






OBRIGADO.

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